Desidentificar-me.
Tirar a minha identidade do lugar onde eu sei quem sou a partir da minha relação com o meu pai e mãe.
Para ser quem eu realmente sou, devo desapegar-me da identidade que sou quando estou com os meus pais, que me asfixia e me impede de trazer à tona o meu potencial e a minha força interior, a minha Mulher Selvagem, sábia, alquimista e confiante de saber quem realmente é! Sem esperar ser eternamente cuidada pelos pais nem sustentada, como vê acontecer com a mãe e como soube que aconteceu na linhagem feminina anterior. Por mais que haja vontade de continuar na "farra" e na aventura de viajar e experienciar coisas novas que os filmes inspiram a fazer, isso também irá acontecer no momento em que me coloco em situações fora da zona de conforto e confio que saberei lidar com as novas realidades que escolho criar, diferentes das que criei até agora, refém de uma identidade que já nem existe e por muitas vezes, forcei-me a mantê-la viva e já não existe, por isso, mesmo com tentativas de mãe quererem ressuscitar ou manter viva essa identidade, ela já não existe porque já não sou eu. Quem eles querem que eu seja, eu já não sou mais. "Entregar o pai à minha mãe, eu não sou a mulher do pai nem namorada, nem mãe nem cuidadora". Para ter uma nova relação e em equilíbrio, há que perder o pai e a mãe, no sentido de deixar ir essa identidade que se formou junto deles e que já não é sustentada enquanto adulta porque não tem maturidade.
É incrível como a mente consegue captar 1001 coisas ao mesmo tempo e quando se trata de processá-las, se não houver um momento de silêncio, calma, paz, as peças não se encaixam nos lugares certos. No momento em que, há pouco, surgiu uma tesão pela vida muito forte, veio uma coragem e uma confiança imensas para que fosse sendo criada a nova crença, a nova sinapse e ficasse firme. Apercebo-me que, é tão rápido que de uma coisa, surge outra e outra e outra e, com o entusiasmo do momento e a excitação da confiança, veio de novo o querer consumir mais informações em vez de acalmar. Apercebi-me que elevei de tal forma a vibração, a frequência que estava capaz de tudo naquele momento! Como se tivesse voltado de novo aquela vivacidade e energia de estar viva neste corpo, confiando que este é o caminho e que tudo o que surgiu até agora foi sempre divinamente orquestrado para chegar aqui. Até a gata estava em excitação máxima, saltou para cima da mesa e mandou o puzzle ao chão, fechei os olhos, respirei fundo e sim, consegui acalmar-me, sem ficar descontrolada por algo que já me tirou muito do sério no passado a ponto de preferir mandar os puzzles para o lixo do que voltar a pegar neles. Refilei, reclamei com ela, que só queria brincar e senti que, apesar de estar a reclamar com ela e não ter tido uma resposta mais tranquila à situação, estava a ser eu mesma a chamá-la de chata por me levar a ter de montar de novo partes do puzzle. Já foi um outro patamar de consciência, já soube respirar fundo, relativizar e entender que a gata estava na mesma excitação que eu e só queria brincar... apercebi-me que foi também para acalmar o ego que tava a entrar em doideira com o que tinha acabado de assistir de mulheres numa aula, não tendo compaixão por elas e chocando-se de tanta novela brasileira em suposto momento de autoconhecimento, seguido de uma total insegurança feminina que me mostrou claramente uma consciência anterior minha que pedia validação e não se sentia segura nas suas atitudes, querendo pedir respostas e opinião a um homem em vez de confiar no seu poder pessoal e intuição!!! AHHHHHHHHHH isto levou-me a querer apresentar-lhe o livro Mulheres que correm com os lobos para que se deixasse disso e recupere o seu poder pessoal! Mas quem sou eu para ensinar o que quer que seja? É um desafio para o qual não me vou propor neste momento, em bate bocas com mulheres ou um homem carregado de argumentos que tanto me desafia, estimula e me dá tesão para um tête-a-tête interessante que possivelmente irá acontecer pessoalmente algo que me vem visitando desde que me cruzei com ele como, ao mesmo tempo, me irrita numa forma "reles e brega" de tão à vontadinha que se encontra a borrifar-se se tem respeito ou não no que diz (desejo do ego com energia familiar?) Há de tudo nesta comunidade, que prefiro ir assistindo aos poucos e aprendendo tanta coisa em relação à comunidade brasileira (com algumas semelhanças mas também grandes diferenças dos portugueses, nem melhores nem piores) e não só, em relação a mim também. Mesmo não tendo vontade de ver as aulas nem estar ao vivo, muito do que assisto, são consciências minhas e muitas vezes dá o tilt e prefiro parar porque fico realmente surpreendida com o tipo de conteúdo que tanto pode ser interessante como chega a ser uma fofoquice pegada em que a figura central é o professor, tanto é venerado como odiado e criticado, ao vivo - um teste interessante a que se joga, perante tanto mulherio, umas com vontade de se atirarem a ele, outras com vontade de o esganar. Um treino de observação, bem forte.
Não aceito outra coisa que não o que é justo porque sei do que sou merecedora, de tudo de bom e sei que consigo criar uma vida maravilhosa, com o empenho e dedicação que tenho dado ao meu desenvolvimento pessoal com todos os mergulhos e transmutações que só têm um destino: saber quem eu realmente sou e despir-me de quem achava que era e não sou, deixar cair por terra identidades que já não se adequam a quem eu sou hoje. Confio que é um processo gradual, de maturidade, de confiança, de voltar a casa, ao meu coração e fazer a escolha de me desidentificar de uma personagem, uma identidade que achava existir apenas na companhia de pai e mãe e daí, tantas vezes, ter a sensação de não saber quem sou. À medida que vou desbravando caminho e escolhendo o optimismo, a alegria, o amor, a compaixão, a gratidão, a paz, a calma, a abundância, a prosperidade, gradualmente tudo se vai transformando no ser que eu sou, hoje, iluminando partes que se vão diluindo e que já nem pertencem à dimensão em que escolho viver, sendo encaminhada, para junto da minha família, dos meus verdadeiros irmãos, saindo de visões distorcidas e contaminadas pelo que veio atrelado a identidades e senso de identidades antigos.
Quantas bençãos a chegarem e a embalarem-me no caminho para Casa, junto de quem sempre esteve perto, noutra dimensão, a olhar por mim. Sim, sou eu que tenho o comando da minha vida, na mão, no momento em que escolho em que frequência vibro, mesmo perante alguns desconfortos no corpo ou mesmo a respirar, sei que muito está a acontecer e grandes transformações estão a ocorrer! Eu confio num mundo mágico, de arco-íris, unicórnios e cheio de flores coloridas e muita irmandade, amor e fraternidade. Não há motivo para me apressar, apenas para me pacificar sem querer ir a lugar nenhum, apenas enraizar-me cada vez mais e mais no Ser que Eu Sou!
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