quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Tempo de viver num presente bonito, sem mais dramas

Não está a ser possível gerir tudo o que vai surgindo emocionalmente, querendo sentir-me confiante, e querendo iniciar-me profissionalmente, alugar casa ou viajar para outro país. Estão a vir à superfície memórias de infância, insights de andar uma vida inteira a desgastar-me para obter o amor da minha mãe que nunca tive nem terei, da forma que queria, entrar nesse lugar que dói profundamente com a sensação de ter andado a desperdiçar uma vida inteira desviando o meu foco de ser feliz para estar presa a um amor pelo qual queria lutar e que nunca viria nem virá, de mãe. Quanto desgaste, quanta ilusão, quanto cansaço e frustração agarrada a ilusões alimentadas por ofertas de bens materiais para continuar presa a essa ilusão. E o quanto me magoei, me anulei, me levei a lugares de fazer de tudo para receber um bocadinho que fosse, me autodestruí em busca de pai, em relações umas atrás das outras, relações superficiais e temporárias, como forma de suprimir a ausência de pai (a única forma de satisfazer uma paixão não resolvida durante a infância, porque a única coisa que não podia fazer com pai, relação sexual, buscava em rapazes/homens). 
Sair do lugar de menina que ficou de braços abertos para os pais... à espera de receber o que precisava e que nunca recebeu, apenas em forma de comida, bens materiais,...uma espera que se tornou eterna, até recentemente permitir-me entrar nesse espaço de novo, profundamente doloroso, por ser a única forma de me tornar adulta e sair desse lugar de idealização, com coragem e apoio que vão surgindo de outras formas, sem rejeitar, apenas sentindo-me merecedora do apoio e da presença de outras fontes de afecto. Um caminho que deve ser feito, um passo de cada vez, sem me deixar cair em prisão emocional ou mental, passando por uma profunda morte e divórcio de pais, especialmente de mãe. Uma morte profunda de desfazer de ilusão, idealização... sem qualquer tipo de culpa ou pesos por me permitir passar por isso. 
De momento em momento, vem uma vontade imensa de pegar nas coisas e ir para outro país. É fuga ou vontade profunda de refazer a vida noutro lugar com novas caras, sem dar justificação a ninguém nem dever nada a ninguém? Sinto que isso vai surgir em breve, ainda não me tendo dedicado ao desapego que terei de fazer em relação à Sukhee. É muita coisa para uma só pessoa. É um desconforto tal que sinto tudo a desabar, todas as ideias, ilusões, tudo a ir por água abaixo. Um desfazer completo de tudo o que parecia verdade, e me deixei iludir por várias vezes... voltou a chegar uma desilusão de que tudo é superficial e não há DE TODO a possibilidade de receber amor de família biológica, por muito que hajam tentativas forçadas por parte deles. Sofrem com isso mas escolhem viver na mentira, na superficialidade, não havendo hipótese, neste momento para qualquer aproximação. Onde há ilusão e consequente sofrimento, já não é para mim. O desapego de idealizações sobre eles é Urgente para o meu bem estar. A sensação de que fui manipulada, articulada, à distância, caíndo sempre nas armadilhas devido a estar presa a essa ilusão de "um dia vou receber dela/dele o que nunca tive" e quanto a escolha por parte delesné viver no medo, isso é algo impossível, levando-me a uma conclusão dolorosa mas que me vai levar de novo à minha força e confiança, quando me recuperar deste trambolhão imenso de desilusão, para de uma vez encarar a Verdade e deixar de viver no país das maravilhas num mundo 3D. A aprender através da dor profunda, um lugar de onde andava a fugir, da tristeza profunda, que não existe nem nunca existirão demonstrações de afecto e amor genuíno por parte deles. E essa é uma lição gigante, para me virar duma vez para mim e parar com distracções, sarando o coração e acolhendo-me, permitindo-me também ser acolhida sem continuar a dar uma de forte porque isso só me leva a lugares de maior sofrimento. A aceitação profunda dessa verdade e que é momento de desistir de querer mudá-los ou aplicar tanto esforço para que eles me vejam e me amem como eu sou, com as minhas escolhas e decisões... quando isso não acontecerá nunca, e continua a ser algo que me é provado verbalmente por eles. Aceitarem as minhas escolhas é aceitarem uma identidade diferente da deles, e isso leva-os a lugares que não querem ir porque terão de olhar para as suas próprias diferenças e perceberem que eu não sou igual a eles nem nunca serei, tão pouco ser quem eles idealizaram/programaram para mim, um projecto à semelhança deles. Desidentificar-me dessas idealizações deles é sentirem o distanciamento emocional e o perderem o controlo sobre mim e sobre quem me estou a tornar, fazendo tudo por tudo para me manterem igual ao que eles queriam que eu fosse, com hábitos iguais aos deles, que me mantivesse igual ao que era para não sentirem que tenho a minha própria identidade, escolhas, sentindo a tornar-me adulta, vendo a "coisa a apertar para eles" por estarem a perder alguém que alimentava a ilusão entre eles. E assim, os véus caem todos e não quem se meta no meio nem quem alimente essa ilusão. Chega de mentiras.
O melhor de tudo isto é que, mesmo doendo e passando por um desfazer gigante de identidades que os agradava e mantinha-se como cola naquela relação e alimentava a ilusão por viver no passado com eles, algo que tentaram fazer na última vez (lembras te naquela viagem? Passado passado passado...) e de onde decido sair, enfrentando a realidade do presente tal como ele é, sem véus nem farças nem distorções através dos meus olhos de criança, reconhecendo onde andei, resgatando-me desse lugar, escolhendo o presente sem viajar, porque quem não se satisfaz com o seu presente e não aprecia um amanhecer, um nascer do Sol, a gratidão de estar vivo, por viver preso em rancor e mágoas, chateado com o seu presente e as suas escolhas, evitando ao máximo olhar para ele, com distracções e suprimentos, vive preso na mente e em pensamentos do passado (quando tudo ainda fluia mais ou menos e tinham os filhos por perto, quem os distraía de encararem a relação fria de casal) e futuro (planos de viagens e evitar lidarem um com o outro demasiado tempo... e o que ainda vai sendo a estaca para tudo não desmoronar é a presença de outra pessoa em casa, durante a semana). Muita aprendizagem que vou trazendo para mim e escolhendo o meu presente, onde há paz, onde começo a estabelecer novas ligações, onde me vou relembrando da minha força, enquanto mulher, onde vou crescendo e vou experienciando a vida de uma outra forma que não cheia de ilusões como fui habituada.

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