segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Perdoando adormecimentos e deslizes emocionais

Como foi activada a "boazinha" ontem? Como fui parar outra vez ao lugar de querer ser a filha perfeita, iludida mais uma vez por dever agradecimentos pela vida à minha mãe, levando-lhe flores e, mais uma vez, entrar nesse papel? Lembro-me que estava a ir rumo à palestra e acabei por não ir por ter sido no dia anterior. Acabei por ir comer a um lugar onde estive durante a formação de constelações, criei novas memórias a almoçar comigo mesma, a ouvir música, a escrever sobre o permitir-me ser compassiva pelo que a minha mãe passou durante a gravidez de mim e, no meio desses mergulhos, fiquei submersa em emoções e veio a necessidade de lhe oferecer flores, esquecendo-me mais uma vez e perdoando e perdoando e perdoando comportamentos dela que me inferiorizam e me deixam em baixo, parece que volto atrás na auto estima e na confiança interior, reactivando sistema nervoso por ir parar a esse lugar novamente de obediência sem me dar conta que continua a haver desrespeito por parte dela e do meu pai, quando escolho agir diferente deles, não aceitando e ficando arranjar formas de me darem a volta para fazer como eles querem. É uma forma de desrespeito à qual fui habituada pela porra de educação de obediência no colégio e de ter de ser boazinha até com estranhos. Traz uma exaustão imensa quando eles não aceitam as minhas opções e diferenças, acabo por não ter forças para sair dali o quanto antes. Cada vez mais me apercebo que não me faz bem à saúde mental nem emocional estar na presença deles. Venho sempre dar a este lugar, com sensações de dívidas pelo que, por exemplo, a minha mãe passou na gravidez que foi uma escolha dela, confundindo o honrar com o voltar à obediência, levando-me a sentir uma obrigação de lhe mostrar a minha gratidão através de gestos. Ainda que se emocione um bocadinho que seja, não compensa sujeitar-me aquele ambiente tão disfuncional ao qual me habituei e que, quando já está a ser demais... mesmo arrotando e arrotando e arrotando, não associo ao ambiente em que estou e justifico como sendo outra coisa que não de estar ali. Energeticamente, volto ao desgaste e, faço mal a mim mesma, para lhes fazer companhia ou agradá-los, como aprendi. Perdoar-me por ainda cair nestas situações, sinto que acabo sempre por retroceder no meu processo... vêem aprendizagens fortes, por ter sido controlada por emoções e surgir de novo a que sente obrigação de agradar. Estou a tentar localizar cirurgicamente o que despoletou isso... se foi o não ter ido à palestra, se foi voltar aquele lugar que me trouxe memórias, quando me questionei "ok foi ontem... e agora?" Talvez me tenha sentido frustrada, talvez tenha sentido frágil, insegura, talvez tenha surgido desorientação naquele lugar com carros, poluição, um lugar que talvez me tenha levado a ir de volta a quem eu era quando passeava ali naquela rua com a minha mãe, nostalgia, talvez tenha sido uma viagem que fiz mesmo para perceber que voltar a lugares passados não me servem de nada, deixam-me agarrada ao passado e só me levam a quem eu era e às dinâmicas de obediência que eu tinha antes com a minha mãe. Talvez tenha sido sugada pelo passado para ali para trazer apenas o mergulho que fiz enquanto comia e, sentir gratidão por estar viva à minha mãe. E ficar por aí. Entretanto, as emoções de criança engoliram-me e refém de ilusões mentais, construídas depois de perceber a força interior que é preciso ter para lidar com uma gravidez e um luto ao mesmo tempo... levando-me a humildade de a honrar, mas talvez se tenha confundido com o precisar de lhe provar esse agradecimento, com algo material, ainda que fossem flores. Percorri os mesmo caminhos e lugares da minha mãe ali... foi estranho, parece que estava hipnotizada por percursos dela, talvez honrando-a a ir aos mesmo sítios que ela ia, e a flor talvez fosse para mim, para celebrar aquele momento. Porque afinal, existem várias maneiras de honrar os pais sem ter de provar nada, é um processo interior e profundo que não preciso de forçar ou experienciar perante eles, sendo que a relação saudável dura uns minutos e há sempre a necessidade deles de me "sugarem" para casa deles para não se sentirem sozinhos e entrarem nessa dinâmica doentia, em busca de alguém que os cuide ou que concorde com as infantilidades, inseguranças e os acolha nos medos deles. Afinal quem é o adulto? Será possível sermos todos adultos ou continua a ser ilusão da criança e até da adulta em mim? 

Naquele dia, ia fazer algo por mim. Ia estar comigo, crescer, despertar mais um pouco. Acabei por desviar o caminho, por não me ter focado no dia em que era a palestra (acontece mas que sirva de aprendizagem para estar mais atenta ao que marco e mais presente - tem sido desafiante esta questão das marcações e compromissos, é algo que preciso de reflectir, comprometer-me e ou me esqueço da data ou algo me leva a ficar no mesmo lugar, provavelmente o ego, consciência familiar, algo que me leva a nem conseguir levantar para cumprir com o que marquei). A sobrecarga emocional e mental não ajuda em nada, como que houvesse algo que, por um lado me mantém com a força de não desistir de me encontrar, e continuar no caminho, por outro lado, me leva a extremos que puxam pelo mental (achando que estou a fazer bem a mim mesma e a acelerar a chegada de respostas para me lançar ao serviço e receber dinheiro para sair daqui e ir fortalecendo a minha estrutura porque sei que muita dessa força virá de dar o salto de fé!... quando tortura mental não me ajuda em nada. Escrever sim, ficar refém de pensamentos, e não descansar, não).

Acredito que as meditações às 4as e estudo aos domingos me vão fazer bem em relação a tudo, em especial trazer-me a paz e a clareza para saber lidar com tudo com discernimento e saber distinguir o ser bondosa e o querer agradar, saber reconhecer as minhas necessidades sem colocar de novo as necessidades do outro à frente. Estar num lugar de aprendiz, pode fazer-me sair dum lugar de aluna que aprendeu a ser boazinha, para ressignificar a verdadeira bondade que me foi ensinada com distorções. 

Talvez tenha ido parar a estes ensinamentos para isso mesmo, ressignificar toda uma forma de viver e ressiginificar toda uma educação que me foi passada com valores tão distorcidos, que, por vezes pareciam ser de acordo com a vontade divina, não havendo coerência entre o que pregavam e a forma como chegava a nós a educação desses valores. A questão é sempre a mesma... ouvir, reflectir e questionar o que me chega não com crítica mas sentindo como ressoa em mim. Claro que, uma consciência religiosa católica dentro da maior parte de nós, que influenciou a maior parte da nossa vida e atitudes, pode fazer com que surjam criticas interiores aos novos ensinamentos por desconstruir o que foi aprendido e, em especial, tentar afastar-nos deles, por isso ser tão importante a persistência e o compromisso comigo mesma neste desfazer de educação distorcida e valores passados que só me levaram a afastar do ser bondoso que Eu Sou, levando-me a querer agradar os outros, ser obediente com todos, sem saber definir limites com assertividade, mesmo que o outro traga truques de chantagem emocional e vitimização (vindos de estratégias do ego), confundindo-me muitas vezes que tipo de comportamento afinal deveria ter no exterior para me respeitar e respeitar os outros, sabendo definir limites de respeito quando surgem abusos subtis, como o que surgiu hoje de uma miúda no mercado orgânico. Confiança a mais na socialização surge quando não coloco limites, esquecendo-me que a maior parte das pessoas com quem me cruzo não se aprofunda no autoconhecimento e, acabam por me tratar com excesso de confiança, aka desrespeito sem se darem conta do lugar deles, nem da idade por, provavelmente me estarem a testar os meus limites. Talvez isso revele que eu, de alguma forma, vou iludida para os lugares, deduzindo que os outros sabem respeitar-me e que não tenho de ensinar nada, não querendo ir para lugares superiores. A questão é que, talvez seja mesmo por medo de poder ser arrogante que deixo de colocar limites ao outro, nas abordagens que faz em relação a mim - neste caso, uma miuda que provavelmente não respeita nem a mãe nem o feminino dela, tendo sido dominada por um falso senso de superioridade para se sentir confiante. Ora, nesta mundo 3D convém estar alerta e atenta, sem cair em ilusões de que já estamos na 5D, mesmo que faça viagens com os meus irmãos lemurianos. E que, onde quer que for, levarei comigo a minha mente e, depois do dia de ontem, a confiança e a segurança de mim mesma precisa ser reforçada para voltar a um lugar tranquilo e não levar destas conversas abusivas, por ter voltado a contactar esse ambiente em casa - abusos subtis e tão prejudiciais. Quanto mais me respeitar, melhor detectarei estes comportamentos, afastando-me e/ou sabendo lidar com maturidade com eles e com quem traz esse tipo de comportamentos, deixando de ser a excessiva tolerante a ponto de me prejudicar. 

E duma vez por todas, consciencializar-me que, o ambiente com os meus pais não me faz bem, seja onde for, seja como for. O caminho é afastar-me deles, neste meu processo de fortalecimento e reconstrução da minha vida. Para trás não é mais caminho possível. Posso escorregar de vez em quando, mas volto ao foco, sempre! No momento em que escolher manter activo e equilibrado o meu masculino interior, bem diferente do que eu conheci e testemunhei de pai, irmão, companheiros... que protege o seu feminino, o abraça e o afasta a ela e à criança de lugares e pessoas que não lhe fazem bem nem a respeitam.

Humilhar, inferiorizar, em tom de brincadeira é desrespeito, é desamor. É mau trato. "estou só a brincar..." Quão infantis, imaturos e reféns do ego nos tornámos devido a uma educação tão mal transmitida, baseada em poder, manipulação? Tornámo-nos adultos, sem discernimento, sem saber distinguir o respeito do abuso sem confundir os dois e sabendo distinguir os dois quando se manifestam de quem quer que seja. Aprendemos a tolerar muito desrespeito que, na altura, era abuso e não era visto nem classificado como tal. Caímos todos em hábitos bem feios, de tratamento humano, entre homens e mulheres, devido à influência e ao poder de uma sociedade egóica sobre nós. E aqui está, um tema bem importante a reflectir com calma e aprender a ressignificar com o que vou estudar no budismo.

Sair do agora, leva-me a ficar perdida nos pensamentos que me arrastam ao passado e ao futuro, através de emoções. Foi isso que me aconteceu ontem.

Pensar compulsivo rouba-nos a nossa própria alma e com Ela, a serenidade, o discernimento e a sabedoria.

Desidentificar-me de ser a minha mente - libertar-me dela.

Estar em presença - a chave da liberdade, ser livre, aqui e agora.

A escolha não é entender, mas praticar o estado de não pensar - não pensar sobre isso, apenas fazer. Consciência do momento presente, aceitando-o como ele é, desacelerando a hiperactividade mental, uma tentativa de fuga do momento actual - prática de me tornar consciente deste momento presente "MOMENTO PRESENTE"

Atenção plena - Consciência - Presença

A consciência não necessita do pensamento, o pensamento precisa da consciência para existir. Eu escolho ser a consciência, no aqui e agora.

Contemplar sem necessidade compulsiva de nomear o que está a acontecer.

"Em vez de criar histórias, atenha-se aos factos. Em vez de ser os pensamentos, ser a consciência por trás deles. 

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