Quero começar a atender mas acho que não consigo por dar atenção às vozes que surgem de dentro, de quando era mais nova... talvez porque ouvi mãe ou pai dizerem "não sou nada sem eles" ou que não fazia nada de jeito, ou por ainda uma parte minha colocar como prioridade o cuidar de mãe/pai e não seguir a minha vida. Hoje senti que, por ainda haver do lado da minha mãe um gozo ou uma espécie de inferiorização em relação ao meu pai, como que uma ridicularização, ainda há um lado em mim de defensora do meu pai, por assistir a isto, nas costas dele... como que traí-lo, desrespeitá-lo e eu dever manter-me por perto para colocar "ordem" e para que haja respeito, ainda importando-me ou mexendo comigo aquele tipo de atitudes dela para com o meu pai. E nesse momento, volto a sair do lugar de filha... armando-me em mãe de novo, testemunhando atitudes de miúda imatura do lado da minha mãe e não saber como me comportar ainda perante aquilo. Foram várias as vezes em que reparei em intolerância dela e superioridade mas lá está, não é mais um assunto meu e portanto, devo desligar-me desse tipo de dinâmica, achando que tenho obrigação de a mudar, quando volto a saír do meu lugar de filha e (acabando de ouvir a minha mãe dizer que quando for muito velhinha vou ser mãe dela) houve ali um click em que, em segundos, voltei a ir para o lugar de mãe, mesmo dizendo-lhe "na na na, tu já tens mãe, posso ir dar-te beijinhos e abraços mas não vou nunca ser tua mãe". Existe como que uma insistência para que eu continue a ocupar esse lugar e como que a excluir o meu pai da família, e uma tentativa de me influenciar a continuar a olhá-lo como ela o olha. Parece uma luta para manter o meu pai nesta família sem o excluir. Mas afinal, sou responsável por continuar agarrada a essa dinâmica que nunca irá mudar ou, simplesmente, respeitar cada um, e tendo-os no meu coração, como pai e mãe, com visão deles no seu devido lugar (para quê pedir-lhes que mudem de lugar fisicamente à minha frente... se insconcientemente não querem?) mesmo que, quando estamos os 3, haja algumas confusões de visão, como o meu pai agir comigo como eu sendo a minha mãe (em competição, sem aceitar pontos de vista do meu lado). É um treino constante, para que me olhem como adulta e assumirem os seus lugares... vai havendo tentativas deles de me manterem nessa dinâmica agressor/perseguidor-vítima-salvador, que eles conhecem e eu trago como o "normal" com eles... o triângulo dramático a que eles se habituaram e, me vão tentando manter para não se tornarem adultos e sair da toxicidade - mantendo jogos psicológicos bem escondidos, simulações e mensagens ocultas/partes deles mesmos.
Perguntava-me se seria bom receber deles frutas, prendas, etc... acabo por aceitar, lembrando-me que pais dão e filhos recebem, A questão é que eu quero assumir um lugar de filha adulta... ao aceitar, estarei a permitir-me ser filha ou a continuar a manter-me num lugar de inferior e necessitada para que eles se sintam superiores, com poder sobre mim? Faz tudo parte deste processo e são tudo aprendizagens que, no momento, vejo como "ok vou seguir o coração e oferecer uma flor à minha mãe com boas intenções e para lhe agradecer pela vida" mas que pode ser o inconsciente a manter-me agarrada emocionalmente ao sistema, até porque vieram memórias de criança ao passear num lugar onde passeava com a minha mãe. É algo que vou reflectindo sem me punir e entender, que não se resolve tudo com rosas. O ego e dinâmica carência/dependência/controlo do outro está sempre presente, ainda que inconscientemente, ele acaba por aparecer, por isso tão importante, se calhar, encurtar as visitas em menos tempo, em vez de ficarmos horas à conversa para não ressuscitar essa dinâmica. Pai tenta que eu entre em casa, eu prefiro não entrar e ele respeita. Quando me abraço a mãe, ela emociona-se mas controla-se... pai fica feliz. Dali a pouco, parece que, quanto mais confiança volta a haver e à vontade, os gatilhos e as sombras vão vindo á tona. Então, sabendo que posso resolver estas dinâmicas interiormente e em processos de constelações, ganhando também confiança e paz interior para, em momentos com eles, cada vez estar mais presente e atenta para não me perder nessa dinâmica, encurtando o tempo na presença deles e evitando receber e receber o que eles vão dando para, ir definindo, aos poucos, a minha postura de "agradeço mas eu cuido de mim, sou mãe e pai de mim mesma". Há uma tentativa do lado deles de quererem manter dinâmica que conhecem comigo porque não querem sentir a solidão e o perderem essa dinâmica que os mantém na ilusão aparente de estar tudo bem e de teres papéis tóxicos e disfuncionais, com o meu consentimento, sem dar conta que voltou tudo ao mesmo e não há nada a fazer em relação a isso. Falar prolongadamente com eles, viajar ao passado, a memórias de criança, coisas que a minha mãe vai dizendo para me mexer no emocional e me manter presa na dinâmica tóxica, controlando emocionalmente através das memórias de como eu era e que lhe escrevia bilhetes... não é saudável para mim e mantém-me na ilusão, desgastando-me sem dar conta. Estarei a ter dificuldades de sair de lugar de criança/adolescente de salvadora (dinâmica que conheço), nesta dinãmica por andar a fugir de me tornar adulta, que só me faz mal e me mantém presa a um triângulo não saudável? Quanto mais falamos uns com os outros, as energias vão-se misturando e às tantas, perco-me do lugar onde me quero manter. Posso sempre ter a perspectiva que estou a fazer por um bem maior, entregar os mimos por gratidão e vir embora dali a pouco. Há como que uma dependência emocional e veneração do meu pai para com a minha mãe, nada saudável, que ela tenta manter comigo também, da forma como me tratou a última vez e que eu decidi não esquecer mas ver como uma oportunidade para me acolher em comportamentos iguais a ela que já tive ou possam estar dentro de mim. A solução não passa por evitá-los ou distanciar-me totalmente mas sim, estar com eles pontualmente, falar o necessário e ir-me focando no que, para mim, me irá trazer paz interior, sem confusão mental e me ajude e me motive a continuar no meu caminho para sair dessa dinãmica que não me faz bem, conseguindo ir ganhando forças para seguir o meu coração, que pode passar por ir viver para outro país e conseguir ser autónoma e autossuficiente, algo que irá mudar esta relação entre nós, em grande escala. É um processo contínuo... acreditando que cada vez vou estando mais alinhada comigo mesma, ainda que, na presença deles, seja ainda fácil deixar-me levar emocionalmente pela expectativa da família feliz (um bocado à imagem do pensamento do meu pai) e deixando-me engolir novamente por controlo e manipulação emocional de mãe que sofre e vive em dependência bem escondida, tentando controlar tudo e todos à volta para que não seja mostrada qualquer fragilidade ou emoção e evitar ao máximo qualquer dor bem forte à qual rejeita a todo o custo aceder, mantendo-se no lugar de vítima, superior. Entretanto, somos todos humanos e isto é tudo um teatro à minha frente e é fuckin' desafiante estar com eles sem me deixar afogar nestas dinâmicas que já não quero mais para mim. Então, é fundamental continuar no meu trajecto de desfazer o ego, no budismo e constelações (compromisso comigo mesma para aprender a lidar melhor com estas situações e ter outras perspectivas e atitudes sem desrespeito mas com firmeza) porque há quem tenha o ego bem firme como forma de se protegerem ou de se sentirem alguém. Através do budismo, vou aprendendo que, quem em vem desafiar e activar gatilhos, vem dar-me a oportunidade para trabalhar ainda mais o desfazer do ego e prejudicam-se a eles mesmos, a acumular carma ao continuarem reféns da mente. Talvez eu ainda ache que já não caio mais nas ratoeiras da mente mas volto ao lugar de reconhecer que ainda existe arrogância em mim para ser observada, sem julgamentos e também expectativas de algo idealizado nas fantasias da minha criança, que vem á tona e se deslumbra ao conectar-se emocionalmente de novo aos pais. Tudo ok. É tudo uma questão de treino da mente, sem ser controlada por ela através do que surge fora, em forma de personagens que amo, emoções e sentimentos (criação da minha própria mente). Parece que o apego é algo importante a ser trabalhado, escuso de me armar em forte e achar que não sinto apego por ninguém, também me calhou, não sou estrela exclusiva iluminada. Sim, já fiz muito caminho e vou continuar porque isto nunca pára... às vezes, vem é essa ilusão de "já está! agora que vim do templo, vai estar tudo bem." e POUF. Já caíste outra vez na história da carochinha. É um processo e há que ter paciência, foco e compromisso comigo mesma, em especial agora que escolhi dedicar-me a estudo de ensinamentos budistas. Cometo os meus deslizes e perco-me em ilusões movida a emoções que ainda me engolem muitas vezes. É continuar sem desistir e sem cair em vozes do ego de "não precisas daquilo para nada!" que teme a toda a hora ser extinto e deixar de ser "alguém". Pois é... ano 9 pede muito foco interior e dedicação ao caminho espiritual, sem xalálá's espirituais que por aí andam, escolhendo voltar ao simples e manter-me firme que tudo está dentro de mim e é tudo uma questão de escolher o bem estar interior e pacífico, em benefício de todos os seres. Só nesse estado interior, sentir-me-ei mais confiante em atender os outros com constelações familiares. Haverão muitos clientes, o importante é haver este treino e foco diário com meditação no centro, pedindo bençãos e continuando o estudo, sem me perder. Tal como o monge disse e fez tanto sentido, o caminho sem bençãos torna-se muito difícil e foi exactamente isso que senti nos últimos tempos. Não tem de ser assim, posso contar com os ensinamentos que me ressoam na alma (que o ego muitas vezes julga, critica e aponta todos os defeitos para me afastar do caminho que irá levar-me ao esvaziamento do ego... estando preparada e atenta para qualquer tipo de resistência que me cole à cama ou a casa em dias de aulas ou constelações) no templo, nos livros e permitindo-me ser ajudada ao receber as bençãos que me irão apaziguar e acalmar, acolher e manter-me na fé de continuar a acreditar. Não chega só dizer "eu sou a paz, eu sou o amor", requer mesmo um compromisso diário para treinar a mente. Não há milagres num dia (apesar de eu me iludir muitas vezes quando me sinto nesse estado de êxtase, a flutuar quando saio do Templo, que esse estado vai durar muito... e como é tudo impermanente, há que perceber que essa paz precisa de ter treinada, especialmente quando a partilho com alguém em necessidade... e depois, requer voltar ao centro... lá está, esquecer-me que a paz interior não se mantém em mim quando interajo com outros seres que necessitam muito dessa paz, e lá se vai ela). Aprender a mantê-la, diariamente, lembrando que, a bateria vai perdendo forças, a energia vai-se indo, especialmente ao falar, deixando de existir o tal foco no centro e verticalidade. Atenta a isso, é um treino diário e, por amor próprio, relembrar disso e gravar que, sem esse centramento bem treinado, a energia vai-se num instante. É como se doasse toda a paz que preciso para mim, deixando-me levar ao escoamento de quase toda ela, sem me aperceber. Ainda bem que me apercebo disto para estar mais atenta. Por muito desafiante que seja, é fundamental para mim, respeitar o meu estado energético especialmente perante os meus pais, não voltando a cair num desgaste como hoje estou a sentir, por ter deixado escoar toda a minha fonte de vitalidade, sem dar conta (a conversa foi fluindo, foram-me ouvindo, fui-me alimentando da ilusão de harmonia aparente e lá ia eu descendo a energia para estar na frequência do medo (nem me lembrei disso, pela aparente boa disposição e aparente bom ambiente entre deles - a TAL ILUSÃO onde caio sempre quando me vêem emoções a controlarem-me, sem conseguir ter mão nelas nem me lembrar de que posso senti-las sem ser refém delas, vindas da mente que precisa de treino), onde eles vibram - requerendo agora muito descanso e recuperação por me ter deixado arrastar para esse lugar, perdendo forças para os energizar, como que a perder vitalidade para mantê-los vivos). Ou seja, guiada ainda pela ilusão da criança que se derrete em especial com mãe, esquecendo as atitudes dela egóicas, levando-se a prejudicar-se e a ser escoada emocionalmente e energeticamente por escolha inconsciente dela, guiada pelas ainda expectativas e esperanças da família feliz, esquecendo-se que, os caminhos já são diferentes há muito tempo, tal como as escolhas de atitude perante a vida e que, não vale a pena, sacrificar a energia interior para vivenciar mais uma ilusão ou trazer mais um momento aparentemente prazeroso que irá dar sempre na verdade que dói... que, por muita paz que traga comigo e flores, e abraços, nada os tirará da cegueira e da ilusão em que escolheram viver, de aparências, vítimas de ego, presos no sofrimento. Acabo por cair ainda no lugar de os querer arrancar "dali". Novamente, a salvadora, que ainda traz arrogância ou mesmo, ignorância e ingenuinidade de criança de mudar algo que nunca irá mudar. Aceder a esse lugar de impotência mexe comigo, leva-me a aceder a uma tristeza profunda pela escolha da Vida que eles decidiram para eles e, entrar, de novo, na aceitação e ir concordando com o desistir não deles mas de uma ilusão fantasiosa de criança. Dizer SIM, às escolhas deles, às decisões deles, e o que me cabe é, apenas ser feliz à minha maneira, de forma diferente e equilibrada. Trabalhar o desapego... se escolhem sofrer em silêncio, por respeito e mesmo que custe no mais profundo do meu ser, preciso de encontrar a força interior que me vai libertar desta dependência emocional e desta dinâmica infantil, que me afasta de ser adulta e madura, deixando de me iludir com as fantasias de criança. Prefiro chorar, libertar, sentir a impotência aos poucos e CRESCER, AMADURECER e VOAR. ESTA É A MINHA ESCOLHA, mesmo que doa muito, preciso de aceitar e respeitar a escolha de quem já é adulto e sabe cuidar de si, seja de que forma fôr ou de que forma se tratarem, não me diz respeito. Não tenho de defender ninguém nem concordar ou discordar, não é um papel meu continuar no meio como mediadora emocional. Não vale a pena sentir-me frustrada por ter caído de novo. Talvez por isso, não me esteja a sentir bem agora, sem energias, sem forças, mesmo sabendo que é tudo um treino, quero conseguir criar o distanciamento emocional sem que me leve a este extremo na presença deles. Posso ir abaixo, mas vou aprendendo a estimar-me cada vez mais, à medida que vou passando por estes treinos a que me proponho. Ao escrever hoje, sobre temas relacionados com a minha mãe, entrei num lugar de entendimento pelo que ela passou na gravidez de mim, tendo-me levado a sentir compaixão e baixar a guarda, esquecendo que, mesmo num entendimento destes profundos, eles na presença um do outro comigo, agem sempre da mesma forma, porque não se permitem fragilizar nem vulnerabilizar na presença um do outro, em especial a minha mãe que precisa de se sentir superior em relação ao meu pai e acaba por adoptar o mesmo comportamento comigo, como se só soubessem ter um comportamento, à defesa um do outro (em modo competição, em modo superior/inferior, em modo duelo, em modo "eu sou melhor, tu és pior", em modo julgamento em especial de mãe em relação a pai), mesmo que eu seja filha, agindo sempre da mesma forma mesmo na minha presença (ainda que haja rasgos de segundos emocionais mas quando os menciono, em especial o meu pai, não suporta, como se o que viesse de mim sem maldade, a recebesse distorcida como se habituou a receber da minha mãe - Ou seja, a visão que o meu pai tem em relação a mim é de eu ser a minha mãe, estando constantemente à defesa ou em modo luta como se habituou a estar perante ela, e a minha mãe em modo gozo e humilhação perante ele, modos operandis tão enrigecidos e cristalizados que, mesmo alterando a pessoa que está à frente deles... pai leva a mal como se visse em mim a minha mãe e não conseguisse distinguir, pondo-me no mesmo saco que ela, e ela, tenta puxar-me para compactuar com esse comportamento humilhante e que desvaloriza o meu pai). Pergunto-me, se desisto de estar na presença deles, focando-me no meu processo sem esperar nenhuma mudança ou, tento de alguma forma acessar ao meu pai para que ele me veja como filha e não se coloque à defesa como faz com a minha mãe, por ter aceite estar refém do poder dela, por fragilidade emocional.
E depois de muito mergulho, chega.
Relembrando e voltando à realidade de que tudo é um teatro, não o levando demasiado a sério, ainda que seja muito importante olhar para dentro, há que ser feito com peso e medida, continuando a ir ao encontro da minha paz interior sem me deixar engolir por acontecimentos fora, sabendo que é tudo um teatro criado por esta mente a precisar de alinhamento e de ser domada. E voltar ao presente - o único momento que existe, à respiração e permitir-me descansar, agradecendo pelos episódios experienciados e que ficaram no passado. Mais insights aparecerão sem me torturar mais com pensamentos e refém deles em busca de respostas imediatas ou resolução de uma vida que é um processo gradual, por isso, de nada me serve, entrar na batalha, escrever horas a fio a ver se saltam pipocas profundas e insights astrais com a pílula mágica para resolução de uma vida... que é para ir sendo vivida, abençoada e agradecida. E hora de ir dormir, morrer e renascer de novo :)
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