sábado, 14 de setembro de 2024

Tornados.

 Parece que o parto da minha essência vai acontecendo à medida que vou ganhando forças interiores, libertando-me de algemas, pensamentos que me reprimiram, condenaram e me mantiveram encarcerada uma vida inteira em punição por ter desejos, gostar de Muse ou apetecer-me sair de grupos que já não me dizem nada. É o ego? Talvez seja a alma com a maior luz de sempre que me diz "larga quem já não és, não precisas de te sentir a pertencer porque já ÉS TUDO"! Relembrar-me, gradualmente, de quem sou, sentir a força a crescer dia após dia, a confiança de quem sempre fui e que abafei pelos outros, para não incomodar com a luz, para não chocar nem ofender, tal como me ensinaram, senão vinha o caos. POIS O CAOS É NECESSÁRIO! Só assim surge a mudança! Graças ao caos de agitação de partículas, hoje TUDO É! Receios de me deixar arrastar pelo ego, levaram-me a manter-me encolhida pelo feedback que ia tendo de fora, dos outros, com quem me relacionava e hoje percebo que realmente, quando estou no meu centro, abano as estruturas de quem se cruza no meu caminho, trazendo caos e desconforto ao ego deles, levando-os à vitimização, algo que sempre me apanhou e me levou a perder o controlo de mim mesma e da realidade à minha volta, deixando-me levar por mimimi's dos outros. 

Vejo-me como transgressora. Um ser que vem desfazer conceitos e preconceitos, chocar até com comportamentos diferentes, perspectivas bem fora da caixa, uma espécie de Trinity por vezes em modo silencioso, subtil, outras vezes, a trazer bombas das fortes numa figura bem tranquila e confiante, sem precisar de brincos brilhantes ou verniz dos pés vermelho para invocar um feminino firme, forte e alinhado com a Terra. Não, isso para mim não é cuidar de mim, sou meia selvagem, meia Jane, meia Pokahontas, meia Moana. Tenho todas em mim e todas elas são livres e selvagens que não têm medo de ser quem são, lançando-se ao desconhecido, rumo a si mesmas sem que nada ou alguém as detenha, confiando em algo maior e sem serem guiadas por crenças ou prisões mentais que já não têm força suficiente para as deterem.

Se, por um lado, há um impulso grande dentro de mim para seguir à aventura e viajar guiada por algo forte, sossego e escuto de onde vem esse impulso, se de comportamentos semelhantes aos do passado, que me guiaram para junto de um homem, num espírito rebelde mas imaturo, ouvindo uma mistura de desejos entre ego e alma que pediam liberdade, por outro lado, mais consciente hoje e mais madura, detecto sim uma vontade imensa de viajar que não é uma fuga mas uma vontade de VIVER experiências sem controlar ou planear, sendo apenas guiada pelo espírito, pelo amor dentro de mim que, de alguma forma, é impulsionado também por desejos profundos que me trazem até arrepios no corpo de ressonância sempre que trago à memória alguém que não conheço só desta vida, chegando vozes bem firmes dizendo "não é já, daqui a 1 ano estarás lá, fortalece-te, reconhece-te e afirma-te como quem realmente és, tudo tem o seu momento, não apresses, aprecia cada passo, cada construção, cada vivência, e em breve sim, irá acontecer o que já visualizaste. até lá, afirma-te como a Mulher e o ser humano inteiro que já és, sem andar em busca de alguém que te complete porque já és TUDO". Cuidando de uma ansiedade que vem pelos desejos, por uma pressa de mudança, em mim, no exterior, atrás de imagens e conexões que vão surgindo sem necessidade de explicação e que se mantêem no silêncio e no mistério, há sempre aquela curiosidade de seguir algo que é misterioso, desconhecido, ainda que pareça algo familiar de outros tempos e que me afasta do momento presente. Sim, sinto surpresas da vida algures numa linha de tempo que já cheiro, já a toco com subtileza e, que, já a vivo numa realidade paralela que quando me transporto para lá, os arrepios preenchem-me de cima a baixo como que um reencontro comigo mesma. E volto a mim. Aos meus processos, aos meus mergulhos e ao eu boiar em água morna que me traz a paz que busco que está dentro de mim, na presença em mim, quando oiço o bater do meu coração e sei, do fundo da minha alma, que sou tão merecedora de ser feliz, de ser amada e amar tudo e todos, em especial, a mim mesma. Voltar a ser humana, real, verdadeira, genuína, entregue a algo maior que me mantém no caminho e me embala entre o verde, o castanho e o azul. Envolvida por árvores, mãos compridas com folhas e ramos, flores e pequenos frutos vermelhos. CASA.

São sincronicidades interessantes a surgirem, que me levam à Praia do Forte, a Salvador, o relembrar do tio avô que emigrou para o Brasil, a minha vontade de fazer algo parecido, guiada por algo maior, a floresta a chamar-me, as plantas a sussurrarem-me. A vontade imensa de ir para junto das árvores, da floresta, onde sinta mais a Mãe Terra, as estações, o frio, o calor, onde a consiga sentir a Ela e a mim, unidas, numa só, no vento, na água, no Sol, na chuva, na terra molhada. O norte continua a chamar-me, talvez algo familiar, talvez uma ancestralidade forte a chamar-me para pisar de novo aquele chão, aquela terra, e ouvi-los, sentir a força deles, conectados à Terra, que me dão o IMPULSO e a CORAGEM para seguir a minha intuição!

Surgem várias situações, várias possibilidades na minha imaginação, tudo me leva para ir uns tempos para a Natureza e levando a Sukhee. Talvez precise de ir ao vazio, afastar os véus, as confusões mentais e silenciar todas as ideias que surgem e que acabam por não ser o que busco. Talvez deva ir por outro caminho, sair da situação em vez de me envolver muito nela. Praticar o manter-me no vazio para não me perder em viagens mentais que sim, podem estar a trazer sinais válidos mas que me levam também a muito tumulto e agitação, sem foco. A ideia vai afunilando, é para ir para junto da Natureza, numa casa sossegada, com a Sukhee. As opções que vejo não estão alinhadas. Talvez deva ter de mergulhar de outra forma ao meu vazio para obter clareza em vez de estar constantemente no tornado de ideias, para aqui, para ali, ver casa, alugar aqui, ali. Se é o que quero, já aconteceu, basta sentir-me merecedora disso e largar sem forçar nada, sem querer meter a mão onde quem a mete é o TODO. Eu, enquanto ser humano, trago ainda condicionamentos que me arrastam para esse tornado. Silenciar. A criação só surge a partir do espaço vazio, silencioso. Por isso, essa é a prioridade, não a busca disto ou daquilo fora. Sem esse auto controlo na observação, movida a emoções, excitação, vontade do novo, memórias ou intuições, rapidamente saio do espaço da criação. Não preciso de estar lá sempre mas a criação só vem do espaço neutro e para isso, é preciso aprender a manter-me na neutralidade, na imparcialidade, no silêncio. No vazio. Esse é o treino fundamental, mesmo que surjam vontades de aventuras que podem estar a acontecer numa vida paralela e que sim, escolho estar feliz por isso, escolhendo voltar ao aqui e agora.

Claramente a ser chamada a focar-me nas raízes, na minha raíz.

E para ser prática e dedicar-me a questões de logística em momentos de mudança, sabendo que pequenos passos são pequenos avanços e pequenas conquistas. A grande questão agora é, para onde é para ir se estou neste momento a redescobrir quem sou e quem quero ser. 

"Não abrir mão da minha montanha"

Onde é a minha montanha?

"Eu liguei afecto a quê? A comida, a obediência, a bens materiais, a viagens. Era assim que eles se expressavam em termos de afecto." "Aprendi a não pedir ajuda, quanto menos trabalho desse, mais elogiada era." Se fosse bem comportada e me contivesse, recebia afecto. Uma autentica prisão!" Rejeitar afecto dos outros, rejeitando a ajuda, à espera do afecto que nunca terei de mãe... leva-me a mal estar e doenças. Vivências e experiências novas para receber afecto? Pois... Interessante. Por isso digo que estou óptima ao meu pai para nem vir com tretas de conselhos de psicólogos, psiquiatras e as teorias todas. Há que diferenciar quem tenho à minha frente, que não é mãe nem pai e por isso, (estratégia de sobrevivência - afecto só recebo daquela maneira, padrão repetitivo, então não pedir ajuda a ninguém achando que vou receber afecto), a técnica é sair da perfeição forçada (canal de afecto para a minha mãe) e ser imperfeita, experimentando ser imperfeita e ser elogiada, algo muda na minha mente, ser rebelde, beber álcool, ser normal. Sendo amada desta maneira, por outras pessoas, automaticamente abro novos canais de afecto através da vulnerabilidade. E aí, deixo de querer afecto de mãe. Acabou-se querer conquistar afecto de mãe através de obeciência e perfeição. Talvez esteja aqui um dos pontos centrais da minha história de humana. Abrir mão do afecto de criança, por vezes birrenta e a bater o pé a querer atenção e afecto, agora sou adulta e posso receber afecto de outras pessoas, chega de esperar pelo afecto que nunca virá de pais e ABRIR novos canais de afecto sem depender ou ficar presa a esse afecto.

O que é que eu quero para mim? ASAS, crescer, experienciar, vivenciar, ser independente financeiramente, voar, voar, voar. Divertir-me. Ser eu mesma, numa reconstrução de quem eu sou que vou sabendo ao viver e ao silenciar-me.

Apercebo-me de um julgador brutal de outros seres humanos, que são partes do todo e partes de mim. E se julgo o outro, não o abençoo. Talvez dominada por dores, crenças que ainda não foram desfeitas... chateada com alguma coisa para onde ainda não olhei, de mim mesma, em relação a homens, mulheres. Talvez dominada por um ego que teima em estar presente. Eu vejo-te e não vou dar-te permissão para controlares a minha vida.

H U M I L D A D E

Diluir arrogância, críticas em relação aos outros, ao exterior e a qualquer comportamento de quem quer que seja. Todos esses julgamentos vêem do ego, de comportamentos copiados por mecanismo de defesa

Visões distorcidas sobre os outros sob a forma de crítica aparece através de emoções da sombra. Não sou perfeita e 


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