O caminho agora passa por encontrar o caminho do meio, sem considerar que nada fora me vai acrescentar ou afastar-me da minha verdade com as perspectivas dos outros.
O que é que ainda busco fora para me distrair do meu centro? Um homem? Uma relação, guiada por um inconsciente feminino que colocava a relação amorosa como prioridade, algo que já não é uma verdade para mim? Que parte em mim ainda acha que precisa de validar o seu valor, enquanto mulher e que merece ter uma relação saudável, com algum homem a olhar ou a dar atenção, cuidar ou sorrir? O valor ou reconhecimento nunca vai vir de um homem ou mulher, talvez um reconhecimento, elogios que ficaram por chegar, manifestações de respeito, amor, afecto sinceros e honestos. Tudo vindo da criança que ainda se sente em falta com algo, por isso, ainda sai de si para dar, de alguma forma, nas vistas, deixando de ser quem é, como que a fazer malabirismos (uma parte sim, a divertir-se a pendurar-se como fazia em criança que nem uma macaquinha livre), olhando disfarçadamente a ver se está a ser notada, vista, valorizada. E isso, enquanto adulta mulher, enquanto um eu novo que sou, já não faz qualquer sentido, primeiro porque Mulher confiante sabe o seu valor e não espera reconhecimento de nada nem ninguém para saber o seu valor, tendo a perfeita consciência que já é tudo e tem tudo dentro dela (importante firmar esta nova crença, esta nova verdade em forma de sinapse), sem necessidade de validações exteriores, ainda que não tenha tido em criança, valoriza-se a ela mesma, nem sai do seu foco de treino (ou o que tiver a fazer - importante seguir um treino organizado por ela com principio, meio e fim, podendo variar os exercícios de acordo com o que sentir), não sai do seu centro (independentemente do que surja lá fora) para manter a atenção sobre si e gostarem de si, para a amarem porque sabe que já é amor. O que me apercebi hoje é que, como houve alguém - 2 homens que a vram e um deles a tratou com respeito e foi educado, gentil num simples gesto (a criança dentro de mim) e é algo ao qual me estou a habituar como sendo NORMAL e CORRECTO (nova crença a nascer e a ser formada), uma forma normal e que mereço de ser tratada e, em criança associei a necessidade de receber respeito, afecto ou atenção, com o esforço e o ter de me levar ao limite para ter mais do carinho que precisava... às tantas, com aquela demonstração de respeito (raro em criança e adolescente comigo e com mulher/mãe em casa, ou mesmo ao contrário) já estava a desrespeitar-me no treino, fazer flexões sem me ouvir ou respeitar o meu corpo (sem respeitar os meus limites por uma figura masculina, afastando-me do meu feminino alinhado, entrando numa espécie de competição misturada com brincadeira), abusando de mim mesma, do meu corpo para que me vissem e gostassem de mim. Isto leva-me a lembrar-me da comparação que faziam entre mim e o meu irmão, para além das atitudes diferentes que tinham com ele, de o valorizarem e vangloriarem mais (tudo bem que nasceu antes de mim mas comparações nunca fizeram bem ao psicológico das crianças, deteriorando a sua auto estima), entrando numa espécie de competição com ele, muitas vezes saindo de lugar de menina, esforçando-me, abusando de mim mesma, querendo fazer tudo como ele, igual a ele, enquanto rapaz, querendo-me parecer com ele a muitos níveis e saindo do meu lugar de filhA menina (em busca do mesmo tratamento que ele tinha dos pais e os previlégios que tinha, especialmente do pai, que lhe fazia todas as vontades - hoje isso até não é de todo negativo, talvez seja mais desenrascada e desapegada de bens materiais e mais corajosa para experienciar coisas diferentes do que ele; tivémos educações diferentes - coisa que não acontecerá caso venha a ser mãe de 2 seres). Ou seja, levei-me a ser mais masculina, ignorando e quase anulando o meu feminino e a menina, rapariga e mulher (nem nunca fui ensinada ou acompanhada numa educação feminina, nem na escola nem em casa), daí, ter querido apressar relações com rapazes, tendo tido a primeira experiência sexual aos 17 muito sem grande ponderação, com um desejo intrínseco de me sentir feminina, Mulher. Talvez tenha sido a forma que encontrei para me tornar mais feminina, através das relações sexuais, através de relacionamentos, onde o chakra sexual era activado e me sentia viva e feminina. UAU que luz que veio! Acabei por vivenciar uma sexualidade distorcida mas como forma de me sentir num lugar em que era feminina, mulher, recuperando algo que tinha sido perdido, em busca de copiar um irmão rapaz para ter o mesmo tratamento de pais (especialmente pai) que ele tinha.
Ou seja, em criança, para ter demonstrações de amor, abusava de mim mesma, e o mesmo ao contrário, caso não fosse obediente e fizesse tudo o que me mandavam fazer, fazendo diferente, levava e era punida com frieza, ausência e desprezo, muitas vezes com violência psicológica e física.
Talvez a partir de tudo o que me chegou agora, entenda o motivo pelo qual entro automaticamente em competição com um rapaz que me sorri, respeita, uma forma de transmitir amor, de alguma forma (respeito é amor), especialmente a treinar - em que no colégio, ele era sempre "melhor" que eu e não faz sentido fazer comparações porque um corpo de uma mulher e de um homem são bem diferentes e requerem tipos de treino diferentes de acordo com necessidades também bem diferentes. Ora, o rapaz a fazer pino hoje de manhã que me olhou e com quem cruzei o olhar, de alguma forma activou o espírito competitivo que sentia em relação ao meu irmão (fui levada por memórias, que me levaram a tomá-lo como o meu irmão) por, na altura ouvir de pais "ele é o melhor na ginástica, ganha medalhas, blablabla", recebendo ELOGIOS e inclusivé, ter amigas babadas por ele a perguntarem-me se era meu irmão, quando ele ia treinar nos trampolins, quando já nem estava no colégio. EXIBICIONISTA! Algo que me chateava e me apetecia mandá-lo passear, ele mais o ego elevado dele. Hoje é o inseguro que é.
Por isso é tão importante pôr esta mente a meu favor, perante experiências que vão surgindo fora, para ir a fundo da questão e alterar a perspectiva e o comportamento, abrindo-me para relações sem competitividade! E afastando-me de querer o lugar dele na ordem da família, dirigindo-me com muito gosto para o meu lugar de última filha, respeitando-me e sabendo, agora, com maior clareza, do MEU LUGAR enquanto filha. Toma, esse é o teu lugar, not mine - bye. Agora sim, com maior discernimento e um click GIGANTE que me trouxe a um lugar de MULHER, última filha e de MUITA LEVEZA!!
Ora para visualizar a ordem para ficar bem gravadinho depois deste DESPERTAR IMENSO:
ANA - Filhos que não ficaram - RICARDO - Filho que não ficou - MÃE - PAI
Que grande aprendizagem até para mim, caso venha a ser mãe de uma menina - as educações enquanto seres humanos, deverão ser iguais, com os devidos acompanhamentos, em especial nos ritos de passagem, com a atenção que as meninas têm menstruação e tudo muda, requerendo a presença e acompannhamento da mãe nessas fases de mudanças, que eu não tive mas trarei a uma filha que nasça de mim. Por isso hoje, sinto ser importante reconhecer-me como mulher e conectar-me com o meu feminino, menstruação, sabedoria, intuição, mortes e renascimentos. Só assim, serei inspiração para ela :)
Daí que hoje, sinto maior empatia com mulheres que são conectadas com o seu feminino, se reconhecem mulheres e, são mães já com trabalho do feminino realizado. Faz toda a diferença quando a mulher é mãe de uma menina, como a Sara Rica, com quem sinto de me conectar, que traz um feminino bem diferente do que mulheres/mães que têm filhos homens, que não passaram pelo repassar da sabedoria feminina à descendência, colocando em prática também o seu feminino sábio. Mulheres, mães de meninas, tornam-se mais leves, mais alinhadas com a sua criatividade e não se confundem mais em papel de mãe do companheiro porque praticam a maternidade nelas mesmas e na filha, sabendo ser companheiras mulheres do seu companheiro homem. É incrível!
ISTO SIM É SER UMA MULHER ALQUIMISTA.
UAU
Agora tudo, se vai encaixando de outra forma.
O porquê da exigência no treino e já não haver muita diversão ou gozo naquele tipo de treino, a chamar-me a dança, a ginástica mais soft, mais yoga, mais calma, assumir um lugar feminino, mesmo que de vez em quando apeteça correr ou fazer algum treino hiit para me divertir com as músicas... uma necessidade de ser musculada a desaparecer, deixando de ser necessário ter um corpo rijo e forte para sustentar um lugar que não era meu, nem de filha nem de mulher. Tudo a fazer sentido, a sexualidade a ser tomada como algo importante em mim, sendo activada com a dança e o movimento, sem necessidade de flexões ou de magoar o lado feminino que não pede para ter braços ou ombros fortes, algo treinado muito por homens. UAU Que click! E curiosamente, ontem que voltei a pegar no livro Mulheres que correm com os lobos. UAU A chegar uma espécie de prazer, orgulho de ser Mulher, de sentir desejo, de ser um prazer e uma honra ser mulher sem qualquer vergonha ou culpa porque é MESMO uma benção! Não fui ainda mãe de um ser humano mas ao ir para junto dos gatinhos, foi uma gata que me escolheu. Tudo tem um sentido maravilhoso!
E sim, sentir tesão por um homem que me atrai, é NORMAL. Aviva o feminino em mim e activa a mulher intensa e a sexualidade em mim, diluindo mais e mais uma ideia distorcida que foi incutida através de uma educação muito igual para filhos/rapazes e filhas/raparigas, em que havia pouca ou nenhuma informação sobre o assunto ou mesmo as mães pouca preparação traziam em relação a isso. Por isso, acredito que tenha sido um desafio grande dar conta de uma filha perante um mundo tão masculinizado, daí a sobre protecção. Tudo vai ficando mais claro, sem colocar culpas a ninguém pelas falhas no acompanhamento/educação que não existia na altura por ignorância e hoje, é bem claro, que deve ser diferenciada em termos de momentos de mudanças, apoio igual a filhos de sexo diferente, com a devida diferenciação nos ritos de passagem para cada um, pai a levar o filho e mãe a acompanhar a filha nas transformações e mudança para maturidade.
E vou-me recordando de palavras de mãe a dizer "quando nasceste eras a única menina no meio de meninos", lembrando as poucas influências que tive em pequena de amigas meninas, os fihos dos vizinhos, na grande maioria eram rapazes, quase todos mais velhos. As famosas influências.
A despersonalização de um feminino que se foi anulando para se encaixar, para se sentir mais seguro, sem perceber bem o que se estava a passar a nível hormonal, emocional, a nível de sensações, desejos sexuais e sem saber como gerir tudo aquilo. Através de experiências, fui amadurecendo, talvez mais rápido numas coisas, mais devagar noutras para chegar a quem sou hoje. Uau que viagem!
A sensação que tenho tido ultimamente então, agora faz todo o sentido - o processo de autoconhecimento para uma Mulher deve ser diferenciado porque é todo bem diferente do Homem, ainda que ambos tenham necessidade de ritos de passagem, a reunião de irmandade feminina faz-se muito necessário para que haja o apoio e a partilha de muito que vivemos e que homens, por muito que estudem ou que atendam mulheres, nunca irão saber expressar por nunca sentirem e experienciarem o que nós sentimos. Por isso a grande importância, numa escola de autoconhecimento, da presença de uma mulher alinhada no seu feminino para trazer equilíbrio ao espaço, seja ele online ou pessoalmente, mesmo que o homem em questão tenha o seu feminino desenvolvido, não existe a elegância, a subtileza e a verdadeira presença feminina num corpo de mulher, para trazer outro tipo de sensibilidade ao momento, pondo, de alguma forma, o homem no lugar quando se estica. Colocar as mulheres em grupos e manter-se no centro das atenções, continua a ser um lugar de ego e desconhecimento imenso sobre a verdadeira importância de uma mulher em mergulhos de autoconhecimento. Um apoio bem mais carinhoso, sensível e fluído como uma mão de seda que envolve a nossa e nos diz "está tudo bem", como uma mãe que dá a mão amorosa e a motivação quando se cai e se precisa daquele pequeno apoio para continuar a seguir pelos próprios pés e pernas, em confiança na sustentação caso seja necessário. Cada um a assumir o seu papel, sem nenhum ir para o lugar do outro, sem confusões nem distorções porque cada um sabe o que é e o seu papel na família.
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