Quanto mais me esvazio, quanto mais pratico estar no vazio, mais espaço abro para chegarem novos downloads para ser encaminhada para outras dimensões. Para Casa.
Um flash a chegar de paixão platónica pelo irmão, por ter estado, muitas vezes no lugar de pai. A visão que tive ontem de uma filha com os pais, numa ordem disfuncional: filha na direita, à esquerda a mãe, e ao lado esquerdo da mãe, o pai, ou seja, algo por que eu passei, provavelmente mais intensamente quando o meu irmão saíu de casa para ir viver com a namorada: como pai nunca assumir o seu lugar (por várias razões, também relacionadas com mãe não deixar ir para esse lugar, tendo ocupado o lugar dos dois, e pai ter delegado esse papel de pai e mãe, a mãe), quem assumiu esse lugar para aliviar o fardo de mãe foi irmão e na saída dele, eu ocupei o lugar dele, que nem era dele como filho, de pai da família. O fardo! As peças vão-se encaixando com tudo o que fui experienciando, vivenciando e tudo o que vou vendo no exterior vai-te trazendo o que ainda está cá dentro para ser visto. Percebo agora o motivo pelo qual ainda me mantenho por perto, com uma responsabilidade não minha mas sim de pai, que estou a ir deixando, entregando, gradualmente, ao afastar-me aos poucos. E agora entendo, que, de alguma forma, o que recebo de família, dinheiro e casa, sem me cobrarem (só em momentos de discussão em que expresso a minha vontade de seguir o meu caminho) mantém a ilusão intacta de que vai haver sempre alguém a aguentar a estrutura da "casa"/família, prestes a ruir. E quem vai sustentando também isso é a Irene, que continua a aceitar estar ali no meio, por achar que não tem outras soluções. E tudo bem, cada um sabe de si.
Afinal de contas, no inconsciente, há ainda ali um homem a querer manter-se filho, desorganizando os lugares, não assumindo papel de marido, também por não o deixarem (mãe) nem confiarem (em prisão mental de dores passadas, em castigo constante). Ora portanto, a minha autonomia financeira e autossuficiência será portanto uma liberdade para mim e, ao mesmo tempo, uma reordenação de lugares, obrigando de certa forma, aos 2 a lidarem e a olharem para a sua situação em casa, que vão camuflando com viagens e bens materiais. No momento em que deixa de haver "utilidade" na vida dos filhos, tudo vem à superfície. Ao focar-me no meu caminho, e integrar no meu interior duma vez por todas que sou Mulher e a última filha, comportando-me como tal e firmando me no meu lugar:
Ana - filhos que não ficaram - Ricardo - filho que não ficou - Mãe - Pai
...tudo volta à ordem e eu sigo em paz, como está a acontecer neste momento.
É fundamental não me deixar levar por pensamentos de compulsividade de compras (muito vindo do ego - comportamentos de mãe) ao ser importante estar em presença, algo a ser integrado e familiarizado aos poucos, que o ego faz de tudo para me distrair pegando em mil e um planos, pegando numa coisa e a partir dela, por aí fora, camuflando-a como sendo o satisfazer da criança interior, quando é satisfazê-lo a ele que quer suprimir necessidades com o exterior, hotéis, piscinas, sair, sair, sair, fuga de estar no presente, algo que o assusta porque aí, é a morte dele. E esse é o treino do momento, por isso tenho trazido tanta coisa para fora, em forma de voz e escrita, até o telemóvel caíu, provavelmente um eu do futuro ou um guardião meu a mandá-lo ao chão para me desconectar daquilo. As respostas chegam todas no silêncio, e a forma que tenho encontrado de vomitar o ego é na escrita e depois vem tudo desordenado e tumultuado, fico em pulgas para mandar tudo para fora, inclusivé, há pouco a mente já me controlava com uma voz insistente que me lembrava o "come saladinha Ana, come saladinha Ana, come saladinha Ana" que me tirava do sério e só se cala quando é satisfeito a fazer-lhe a vontade ou, mais perspicaz, observando-o (algo a pôr em prática nas próximas invasões mentais), por ter trazido um flash de amor platónico por irmão (complexo electra direccionado para figura que ocupou lugar de pai) e estar constantemente a bater no mesmo para não me esquecer de escrever. Sussurrei "não me vou esquecer" o que amansou mais a mente, ainda assim, acabei por ser movida por esse pensamento que me afastou do agora mas que me trouxe mais aprendizagem sobre a observação destas insistências, que vem de alguém que só quer ser visto/a e quer chamar a atenção para me ligar à Fonte, à presença e abraçar a criança que se sente sozinha e por muitas vezes eu a ignoro, neste frenesim de introspectivas, filosofias e mergulhos cheios de pressa para ir não sei onde. Talvez venha daí a sensação de violência que me surge ao olhar para a Sukhee, que é puro amor, talvez seja a projecção da forma que ainda me trato a mim mesma (sendo que não maltrato a Sukhee, volta de novo para mim a projecção por não ser posta em prática, mantendo se na mente), sendo guiada por uma sensação de inutilidade e de obrigação de apressar o processo por que passo (fuga da presença por ainda ser novo e estar a familiarizar-me aos poucos em estar no vazio, dentro de mim, que achando que é assustador - talvez os momentos de silêncio me tenham trazido ansiedade e medo em criança, momentos de tensão sem saber o que ia acontecer por tanta instabilidade emociona - acabo, automaticamente, por mecanismo de defesa deixar-me ser controlada pela mente (o tal processo de dissociação) pensamentos, surgindo uma visão disso ser mais seguro, como era no passado e que não tem de ser mais, ao sentir-me segura em mim mesma, neste corpo, ainda que com tensões e desafios na respiração. No passado, a fuga do momento presente tornou-se tão hábito que, hoje em dia, é gradual o processo de me ir acostumando a estar em presença e ir-se tornando seguro e prazeroso, porque afinal dentro é o AMOR, o verdadeiro porto seguro, que nunca esteve fora nem nunca estará. Os momentos mais perto dessa sensação que tenho tido é sempre na Natureza, no mar, junto das árvores, dando um tempo para me ambientar do estado habitual de alerta e, ir relaxando. Talvez porque, em criança, as figuras de amor que tinha como porto seguro, tanto mãe como pai tinham atitudes bem diferentes de puro amor e cuidado, acabei por trazer um mecanismo de alerta e tensão que ficou cristalizado no corpo, em relação ao mundo exterior, em especial, aos seres humanos, tanto homem como mulher. Apenas o procurava fora porque deixei de acreditar que havia descanso e paz aqui dentro. Mais uma vez, movida à pressa autodestrutiva e ansiedade que vi em mãe, em processo de fuga para fugir da realidade em que vive e que escolheu viver, por opção dela, controlada por medos constantes na presença de alguém que a feriu, a lembra de outra pessoa que a feriu e que não conseguiu processar. Estarei, inconscientemente a copiar o comportamento dela, fazendo mal a mim mesma, permitindo-me ser controlada pelo inconsciente e vozes vindas dela como se fossem verdades cristalizadas e absolutas, sem ouvir o meu coração e essência (como aprendi enquanto criança) por ter sido das poucas referências que tive femininas? Por isso, talvez, seja tão precioso neste momento, conversar com amigas e mulheres com outras perspectivas, para criar novas sinapses, e essas vindas do passado, perderem o rastro.
Talvez se registar nalgum papel items dos pensamentos apenas, como tópicos, os pensamentos acalmem até vir vomitá-los e talvez venham com maior organização mental, sem ansiedade, tornando a escrita mais terapeutica do que algo urgente. Por isso tenho como meta escrever e usar o computador no exterior, ao Sol, a sentir a brisa, ouvindo as árvores, as ondas do mar... tudo flui de outra forma, o relaxamento é imediato no momento em que não me sento a uma mesa, entre 4 paredes, com uma sensação de jaula, gaiola.
Sentir-me-ei presa neste corpo por não praticar o desapego da matéria? Talvez tenha olhado para o corpo como meu melhor amigo também e como protecção da minha essência, a ponto de se tornar armadura, gaiola, gaiola. Daí ser desconfortável dentro de 4 paredes, que são cimento, não respiram, não têm vida. Mas o corpo tem vida, a visão de ser algo material, palpável é apenas uma ilusão aos olhos que ainda contemplam com alguns véus o exterior porque afinal, é tudo energia e não há separação entre o interior e o exterior. Então, para quê fixar-me nesse conceito distorcido? É algo que ainda estava na mente, já lido por várias vezes e verbalizado mas agora, com mais sentir, tudo vai ressoando de outra forma, trazendo essa consciência para este corpo que não é meu nem é minha posse, e que deve ser amado e respeitado, bem cuidado, por ser um canal de AMOR e criação, expressão Divina, Deus manifestando-se através deste corpo que não sou eu (o verdadeiro eu não está encarcerado no corpo mas sim, coberto como um véu de seda para que a essência/consciência/Deus/Universo/Amor se experiencie na matéria (só assim existe experiência na Terra, da dualidade para chegar à unidade, como está a acontecer agora e sempre aconteceu, desde outra perspectiva com véus grossos) através das mãos na escrita, através da voz no canto, nas palavras partilhadas, de todas as formas criativas infinitas que existem, de manifestação.
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