Dou por mim, ao longo do dia, a ser arrastada pela mente a reflectir sobre tudo o que ouvi numa aula, querendo trazer para fora o que vai surgindo, depois de ter ouvido uma outra perspectiva. Apercebo-me que misturar em curto espaço de tempo, perspectivas da realidade, traz-me muita confusão porque a mente vai pegar em tudo o que ouviu a querer racionalizar e querer encaixar umas coisas com as outras, para trazer para fora o que lhe parece o que se adequa à sua visão neste momento. Já pus de lado conteúdos de instagram, tenho evitado estar ao telemóvel, usando mais a música para me acalmar e firmar a frequência onde me quero manter. e que quero criar na realidade que vejo fora de mim, focando-me primeiro na realidade interior. A mente quer barulho, quer com que se ocupar, com que se distrair e, num desejo de me alinhar comigo mesma, com o meu centro, deixo-me levar pela mente, que não suporta o silêncio, tal é o desconforto que sente ao não receber nutrição intelectual para continuar com a identificação com este, com aquele/a, criando mais e mais versões, mais e mais identidades, nomes, figuras, homens, mulheres, nacionalidades, discussões filosóficas para me manter afastada de quem realmente sou e ficar na mente, nos pensamentos, nas reflexões, pelo tamanho desconforto que é perder a sua importância como líder sobre mim. Traz todo o arsenal, apega-se a tudo, a todos os conteúdos, a pessoas, a ideias, conceitos, preconceitos... e, uma vez ouvindo outras perspectivas, já é mais uma ocupação para ela se pôr ao comando, perpetuando a identidade, o lugar de filósofa, reflexiva e orgulhar-se de pôr em prática algo em que ela é expert - PENSAR. E nisto, vem o desgaste energético, o físico volta a estar ao serviço do pensamento, sendo servo da mente. Esta é a prática na qual escolho focar-me neste momento, ainda que venham as tentações de todos conteúdos e mais alguns... não quer dizer que me afaste totalmente de tudo e de todos, mas esta prática de me manter no abstracto, seja em pinturas, seja em músicas sem letras que a mente identifique e ressoe com alguma memória, levando-me novamente a passear com ela. Estas aulas desta comunidade activam-me a filósofa reflexiva que há em mim e que, em momentos pode ser válido, mas que me deixa muito presa nos pensamentos. O ego adora isso, ficar nos questionamentos sem respostas concretas: E se isto e isto for assim? E se for assado? Nem respostas concretas, nem verdades absolutas nem filosofia a mais. O ego pega no que ouviu, quis traduzir à sua maneira, fazer malabirismos com o conhecimento que já recebeu e lá fica ele "blablablablablablabla" querendo trazer esse blablabla para fora, materializando no lugar onde se deu essa injecção de informação. Aquela tentação de trazer pontos de vista que não saíram ontem na aula, tendo ficado algo retido, ou por não sentir que era momento, ou por não sentir que sairia organizado ou por não haver à vontade/coragem/ousadia perante tamanha comunidade em que sou a única portuguesa - talvez vindo de alguma crença de complexo de inferioridade (país mais pequeno que ainda não se empoderou e se afirmou perante outros países - tudo cultural dentro de mim, que me leva a estar mais em silêncio e me mantém a guardar respostas perante aparentes ataques de outros egos). Um treino de autoconfiança, de me manter no silêncio sem recorrer à resposta reactiva gerando conflitos, tanto em mim como na comunidade. Talvez seja momento mesmo para virar para dentro, sem sentir que tenho de responder ou provar nada a alguém, seja ele/a quem fôr.
Questiono-me várias vezes, terei mesmo de ter uma identidade? Estarei confusa entre ter uma personalidade e uma identidade? O processo de individuação é muito falado em terapia, saber quem sou, do que gosto e não gosto. Eu, quem? Quem sou hoje. Talvez esteja a nascer uma nova identidade, que é a essência com a experiência de vida do ser humano que sou neste corpo. E como está em fase de formação, prefere não se manifestar-se, não por insegurança mas por mecanismo de defesa enquanto não sente a confiança interior de se manifestar desde o seu centro. Muito está a sair por terra, muito do que achava que gostava e que se aplicava a mim e não se aplica mais. Cada vez me apercebo mais da necessidade de ir experienciando coisas novas, desportos novos, sem qualquer obrigação para ir sentindo se é algo para ir continuando e se ressoa ao Ser que eu sou hoje. Sem colocar em prática, durante um tempo, nunca saberei. Por isso, o ideal, antes de comprar seja o que fôr, experimento, uma, duas, três vezes. E nada disto me irá definir, porque estou em constante mudança mas irá definir o que gosto e o que me faz feliz neste momento. Claro que a minha felicidade não depende de nada de fora, mas como escolhi vir para a Terra, é para vir experienciar e sentir, sejam novas amizades, sejam desportos, sejam restaurantes, sejam jardins, instrumentos musicais... focando em especial no que seja possível experienciar fora de 4 paredes, seja tocar música na Natureza (instrumentos portáteis), sejam desportos outdoor, no mar perto dele ou na Natureza, e, algo importante, conectar-me com pessoas em presença. O online é muito prático e benéfico por um tempo mas sem o contacto presencial, perde-se muita coisa - a conexão humana porque há sempre a tecnologia entre nós. E por isso, para mim, mesmo estando a aprender a lidar com o que sinto no corpo em presença de outros seres humanos, sabendo que o outro sou eu e que não há motivo para temer ou ansiar nada, bastando praticar a presença e a verdade junto de quem quer que seja, para mim são importantes os abraços, os sorrisos, os olhares cara a cara e que muito se perdeu em negócios online, que até podem funcionar por um tempo e para algumas pessoas (talvez porque se querem proteger do sentir o outro (que é ele/a) ou atrás duma máscara profissional, com medo de não saberem gerir o que sentem presencialmente. É preciso uma máscara profissional ou basta adoptar a postura de neutralidade, sabendo que escolho entrar no vazio na presença do outro (algo que provavelmente irei praticar e sentir no aprofundamento de constelações - o lugar de humildade), em profundo respeito à história dele que irá trazer-me algo em ressonância com a minha mas que isso nada importa porque o verdadeiro serviço é abrir mão do eu, do ego, do egoísmo, colocando o bem estar do outro como prioridade. É nesse lugar que escolho estar, diluir o "meu, minha história" deixando de olhar para o meu umbigo porque isso é tudo um lugar de ego, de arrogância. Não quer dizer que me leve a lugares de inferioridade, nada disso. O lugar de serviço é um lugar de amor incondicional pelo outro e o treino é ir diluindo tudo o que ainda se coloca à frente desse lugar de paz e sábio, em que sou realmente um canal - algo que só colocando em prática, irá ser integrado. Chega de me esconder na conchinha, o ego leva-me muitas vezes a este lugar para não ser apanhado e descontruído perante os outros, com medo de vergonhas ou de ser visto. Eu não sou o ego, nem o corpo nem a mente. O verdadeiro esvaziamento deve ser praticado, em grupo, em comunidade onde me sinta segura para me mostrar tal como sou, sem máscaras e sem artificialidades, ou agarrar-me a personalidades ou conhecimento adquirido. Por isso, nada como expô-lo para que ele venha ao de cima e assim, desconstruído, sem luta, com amor e apoio e Seguir Caminho ao Serviço do Amor para com tudo e todos, para com a Humanidade. Chega de arrogância, chega de me esconder em filosofias, em conhecimentos acumulados, em vídeos, aulas, atrás de um ecrã. O online para trabalho irá servir para a parte logística, com emails, seguimentos e eventualmente, alguns atendimentos iniciais a quem esteja longe de onde eu estiver. Porque a ideia será ir deixando sementes e devolver a autoresponsabilidade ao outro, não mantê-los dependentes de mim no seu processo de despertar, por isso, nem pensar atendimentos uns atrás dos outros à mesma pessoa ou pacotes de muitas sessões. Há muitos seres humanos à face da Terra, portanto, seja em que língua fôr, irei estar ao serviço, através da simplicidade, escuta atenta, compaixão e muito amor - reflectindo o amor no outro e trazendo a lembrança de que ele/a é o próprio amor.
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