Quero criar mas não sei por onde começar, quando sigo as influências que eu adorava em criança e depois me deparo, em pequenos cursos online, o nível elevado em que outros artistas estão e solta-se a frustração e vai por água abaixo fazer algum projecto de ilustração infantil do dia para a noite... Requer aprender, paciência, prática, materiais, aprender e aprender e praticar... Pois, não é num ou 2 cursos que vou criar projectos de criação que me ocupem e tragam rentabilidade num ápice. Preciso de ser paciente, sem expectativas altas senão vem rápido a frustração, levando-me a desistir. Sabendo que isto é hobbie e que é importante não me sentir pressionada nem com data limite para terminar algum projecto porque não pode ser com o foco de fazer dinheiro mas sim, avivar a criança mágica em mim, divertindo-me e ocupando-me, sendo criativa, largando ideias surreais de rapidez abrupta de obras imediatas a venda ao público. Isto é, acima de tudo, para me nutrir enquanto criativa, tendo sido guiada por influências que me deixavam feliz e colada aos bonecos/bd's. Será para colocar em prática criatividade semelhante ou para voltar a entrar em contacto com estas lembranças, vendo as séries, lendo os livros...? Há aqui uma ordem que não estou a respeitar, deixando que a adulta apressada e exigente domine o momento e, portanto, há que haver um equilíbrio aqui entre feminino, masculino e a criança que precisa de ser nutrida (por mim mesma).
Durante muito tempo não soube distinguir entre trabalho e hobbie, sabendo que no dia em que transformar um hobbie em trabalho, deixará de ser trabalho e sim, diversão. Estarei a distrair-me do foco? Vêem muitas ideias mas talvez sejam tantas e ausência de linhas orientadoras, direccionamento. Não chega só ter as ideias e colocá-las no papel mas é o começo.
A questão agora é, encontrar esse(s) hobbie(s) sem me distrair com outras coisas que poderão manter-se algo para desenvolver mas há algo em mim natural desde que nasci para o qual devo dirigir toda a minha atenção e energia. Ora, o que me surge é não me agarrar ao óbvio mas sim, observar de cima, como fiz há pouco, o que me atraía em criança - ora, envolvia sempre um cartoon de criança, reguila, questionadora, e que trocava ideias com o sábio animal (o que me lembra muito de Nárnia e os animais sempre perto das crianças, tal como nos amigos imaginários) - Calvin&Hobbes, Charlie Brown&Snoopy, a Anita e o Pantufa. Ana&Sukhee? :) A sabedoria dos animais, que nos mostram uma visão não condicionada pelo ego, trazendo clareza sobre as situações.
Mais uma ideia que me chegou - criar um cartoon entre cuidador e animal, em stickers/autocolantes, do género do "Tou" que era meio alien. No caso dos amigos imaginários, também eram meios animais, meios peluches, meios aliens, bem ao jeito da nossa imaginação de crianças, como que uma metamorfose entre animal de estimação e ser de outra dimensão a trazer a reconexão com o amor próprio e a confiança que uma criança tem, não se deixando levar pelos medos ou inseguranças, sempre com o apoio dele, ou seja, conectado à sua alegria de criança interior, conectada ao Amor, nunca se tornando demasiado séria nem indo abaixo com inseguranças ou presa a memórias menos agradáveis em qualquer situação. Quando nos reconectamos de novo, com a nossa criança interior, criatividade, e vamos sem medos, seguindo o coração sem pensar em consequências, a vida torna-se muito mais bonita! Fomo-nos convencendo de ter de crescer e pôr de lado a brincadeira e a alegria por ser infantil ou imaturo, quando é o oposto, porque é possível ser maduro, adulto sempre com uma alegria e motivação de viver apenas aqui e agora. Como sair dessas preocupações e seriedades desnecessárias, pressões ou necessidades de provações que conseguimos? Simplificando. Largando o controlo e focando no coração, em vez de procurar desenvolvermo-nos mais e mais com mais cursos e mais distracções. Por vezes, basta voltar a reconectar com ela aos poucos e trazendo-a de novo à Vida, olhando apenas para dentro. Do que ela gostava? O que a nutria? O que a fazia sorrir para além dos lanches na Espigassol, os quadradinhos de chocolate caseiros, os hungaros e os croissants do Trenó, os thundercats, o jogo de cartas do peixinho com a Irene, os filmes vistos com ela e os mergulhos na Ilha do Farol de férias no Algarve, andar de baloiço e de escorrega e pendurar-me de cabeça pra baixo nos ferros?
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