quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Alquimia. O Outono a chegar.

 O foco no melhor de mim.

O foco na minha paz interior.

O foco em tranquilizar-me perante tudo o que tenho descoberto nas várias experiências que tenho tido para me redescobrir e desmontar-me, reinventar-me, acalmar-me com tanta informação que vou acumulando de tantos lados que vou recolhendo. Assim se explica o stress, a ansiedade que sinto no corpo a chegar à superfície a dizer "CHEGA! PÁRA!".

Correr atrás de quê?

Pressa para quê?

O mundo lá fora acelera, seja em que local fôr. É a mente que acelera para acompanhar o ritmo que sinto à minha volta, nutro essa aceleração sem me dar conta, com informações, grupos, mentorias, workshops, cursos,... como se duma busca constante isto se tratasse. E não. De todo! Bem pelo contrário. Se aprendi a andar nesse ritmo acelerado, alerta, mergulhada em conhecimento, em distracções, em emoções que vinham de todo o lado, é hora de acalmar com um compromisso bem profundo comigo mesma. Sim, vim experienciar o sentir mas daí a envolver-me e ficar na roda viva das emoções perdendo-me de mim, já não é a minha escolha neste momento. 

Muito está disponível gratuitamente hoje em dia através da internet. E para mentes não treinadas e emoções não olhadas, é fácil de ficar perdido nessa roda viva e acelerada, especialmente quando trazemos crenças que nos afastam de nós mesmos. Quanto mais caminho mais me apercebo que desistir de mim nunca foi uma opção e que saltos quânticos e acelerados não me servem porque escolho a dar um passo de cada vez, consciente e ao meu ritmo, sem dogmas, obrigações, regras ou obsessões pelo que quer que seja. 

"Ascenção acelerada"

"Quem não acordar até Novembro vai ser muito difícil"

UAU

Escuto frases que, na altura, me influenciam temporariamente e, no momento em que me afasto da origem dessas falas, páro e questiono-me "Outra vez na pressa?". Até quando?

É interessante sentir a energia da preocupação a aumentar no corpo quando recebemos informações dessas seja de que forma fôr e permitimos que a preocupação, o medo, a ansiedade dos outros chegue a nós. Quão atentos é importante estar perante tamanha distracção que, caso não estejamos alinhados e focados no nosso caminho e na nossa verdade, vamos nesse rio acelerado de informações de todos os lados que, tantas vezes não nos é benéfico e serve apenas para confundir.

Já não é opção para mim ignorar os sintomas do corpo, a agitação e a energia interior tão agitada em que fico quando escolho parar e permitir que a poeira assente. Sabem quando a aceleração se torna tão hábito e familiar que parar é desconfortável? É isso que tenho sentido ultimamente. E não é nessa realidade que quero viver porque de saudável não tem nada! A sensação que tenho é que vim com essa programação de nascença e que aprendi a conviver com ela, alimentando-a com treinos pesados, agitados, muito enérgicos, com acumular de conhecimento, livros e mais livros, sem sequer dar tempo de processar e integrar interiormente o que tinha digerido e aprendido. Esse acumular que presenciei em pequena, fosse de roupas, brinquedos, livros, cremes, comida no frigorífico a ponto de desperdiçar (mais valia ter tudo cheio do que confrontar o vazio interior, através de um frigorífico ou um armário vazio). Acabei por replicar isso em forma de conhecimento, em cursos, workshops, livros, formações... guiada por esse automatismo de encher, encher, encher, ver tudo cheio, armários, arcas, frigoríficos, gavetas... levando a tamanha estagnação e acumular de energia parada sem dar a oportunidade de renovação, mudança, ar fresco e entrada do novo no lugar do vazio. 

Por ter tido essa aprendizagem, acabei por adoptar uma postura de desapego quase como que por alergia e intolerância, deixando chegar ao ponto de estagnação e explosão para a mudança urgente. E não tem de ser assim. Em pequena, tudo era vivido em extremos, estabilidade emocional era coisa que não havia e portanto, hoje, para mim é fundamental aprender a não ser engolida pelas emoções que as situações me trazem e saber discernir sobre o que é melhor para mim no momento. O silêncio, o vazio em mim, neste momento faz-se necessário depois de um último ano de muitos altos e baixos, muito à imagem de toda a vida que tenho escolhido ter até aqui (guiada por um programa automático de andar a mil ser positivo e saudável) e que não tem sido, de todo, saudável nem benéfica para o meu bem estar. As mudanças acontecem gradualmente, não vale a pena acelerá-las, querer apressar (contagiada por pressas familiares e também exteriores que reflectem o que existe dentro de mim) ou saltar passos fundamentais para que os passos sejam dados em solo firme. O meu bem estar é a minha prioridade e farei TUDO o que está ao meu alcance para que se mantenha assim. Chega de ser movida a emoções, chega de permitir que o que vem de fora mexa com o meu centro, é momento de fazer as melhores escolhas para mim mesma, independentemente das reacções que surjam exteriores pelo impacto das minhas decisões e mudanças, não é da minha responsabilidade gerir essa parte, é sim minha responsabilidade priorizar a voz do meu coração que me leva onde é para ir. 

Desistir de mim nunca foi uma opção!

Porque sou a pessoa mais importante da minha vida.

Sem carro, hoje tive a possibilidade de experienciar e sentir o Outono a chegar, a temperatura já bem diferente, o vento de norte mais fresco. E o Outono pede já o recolhimento, os casacos, as calças quentinhas, o chocolate quente, o chá de ervas sazonais, o acalmar interno, em conexão com a Natureza. Organizei os chás recentemente e algo me chamou para me conectar aos benefícios das plantas. E para isso, não preciso de cursos nem de formações, apenas de investigar em fontes seguras e ir avivando a lembrança dessa arte em mim. Se há coisa que virá comigo na mudança de casa serão os chás e as especiarias!

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