Um poderoso insight chegou, depois de ver um vídeo de alguém que sigo e captar nela um comportamento humano, misturado com o espiritual nada ético, trazendo-me assim o desfazer da minha própria ilusão de ter endeusado um ser humano pelo conhecimento ou nível de consciência que demonstrava através das partilhas e cursos dela. Vejo aqui, neste meu comportamento de endeusamento do outro, uma tendência minha a desvalorizar-me perante alguém de fora, que se torna minha referência e que, por algum gatilho ou memória subconsciente, acabo de alguma forma a anular-me, esquecer, pôr de lado todo um caminho que tenho percorrido, toda a sabedoria que trago em mim para idolatrar outra pessoa, neste caso, mulher. O que me leva a algo na minha infância, de ter aprendido a anular-me, a deixar de ser eu para ser alguém igual à minha mãe, uma cópia de outro, pondo de lado a minha essência, os meus gostos, o meu querer. E isso tem sido um padrão recorrente que tenho notado ultimamente, sempre que sigo alguém que se torna inspiração, referência e que ao colocá-la inatingível ilusoriamente (endeusar, colocar em pedestal), vem uma frustração, uma pressa, uma ansiedade imensa no corpo de precisar de acelerar o passo, acelerar os estudos, levando-me a sair do agora para fazer planos para estar com aquela pessoa em workshops, retiros, seminários, saindo do meu caminho mais uma vez, inconscientemente achando que fora alguém me vai "salvar" e fazer chegar "lá". Claro que isto mexe com muitas crenças religiosas, culturais, a ideia de inferiorização perante alguém mais velho, mais bonita aos meus olhos, mais feminina, com mais capacidades, blablabla. Agora, para perceber e compreender, finalmente a origem disto... é importante a viagem de observadora, desapegando-me emocionalmente da situação e escolhendo deixar de querer copiar quem quer que seja, seja ele ou ela quem fôr. A questão profunda tem a ver com a desidentificação emocional com aquela pessoa, fora de mim que, sim, é uma consciência minha que me traz partes importantes em mim a resgatar. E no momento em que percebo isso, desapego-me da situação e mergulho de novo em busca dessas partes amorosas, felizes, agradáveis, pacíficas, femininas em mim que pedem para ser nutridas, em especial a criatividade. Não quer dizer que tenha de ser igual àquela pessoa, tornou-se referência, no passado uma referência, um ídolo era alguém que via como melhor e essa é a ideia que é importante desfazer. Nada fora é melhor que eu porque não existe o fora, é tudo o que a minha mente cria e manifesta, então se manifestei esta personagem, apegar-me a ela é apegar-me a uma criação minha, um pouco como ligar-me demasiado emocionalmente a uma personagem de um filme ou de um jogo criado por mim, à minha imagem. Poderá ser visto como apego a uma parte minha para fugir de me aceitar quem sou, no Todo, esquecendo-me totalmente que o pouco que vejo daquela personagem é apenas uma parte, que se mostra, com maquilhagem e sorrisos ao vivo?
Hoje, entendi que quando capto uma "falha humana" num vídeo da pessoa, cai o véu da ilusão que eu própria criei e apercebo-me que, muitas foram as vezes que me dei conta disso com pessoas fisicamente e me afastei delas porque detectei algo que não me agradou e que, curiosamente, era algo que estava em mim. Portanto, tudo faz parte do jogo do ego, de não querer reconhecer o que me foi mostrado como sendo meu, tendo a coragem de olhar, reconhecer, agradecer a quem mo mostrou, em vez de fugir ou evitar de querer reconhecer que não vale a pena ter qualquer tipo de máscara endeusada porque enquanto humana, não sou de todo perfeita nas atitudes, nos comportamentos inconscientes, ainda que traga a perfeição dentro de mim.
Mesmo online, experienciar a Vida é incrível!
As fichas vão caíndo, os véus vão caindo.
Depois desta tomada de consciência, parei e percebi que muitas das decisões que tomei e tomava, nesse lugar de endeusar o outro, fora de mim, foram condicionadas e guiadas pelo ego, deixando de escutar o que para a essência seria prioridade. Fechei os olhos, perguntei-me se seria prioridade, neste momento da minha vida investir numa viagem ao Porto para um workshop. Chegou-me um "não!" com muita clareza, trazendo-me ao meu caminho de novo e aos meus objectivos do momento, prioridades sem que me volte a desfocar no caminho dos outros, "por ser super importante elevar a consciência naquele workshop, senão fico atrasada no processo de ascenção". É incrível ao nível de disfunção mental a que chegamos quando não nos mantemos firmes no nosso caminho, sem nos distrairmos demasiado nos filmes dos outros, que não quer dizer que não nos tragam insights importantes desde que, não nos envolvamos demasiado emocionalmente com o que vem do outro, especialmente havendo ainda crenças que nos mantenham presos a comportamentos de veneração do outro, por muito que do outro lado venha "é só a minha verdade!".
Ufffff mais uma experiência a trazer-me muita consciência e levar-me a escolher não me encher de conteúdos apenas de uma só fonte seja de quem fôr. O querer ser como o outro ou ter a vida que o outro tem, é realmente uma ilusão da Matrix em que vivemos. É incrível como pela cabeça passavam vários pensamentos, neste últimos dias, de me afastar de todas as distracções e ouvir/estudar só desta fonte, como que uma evangelização como nos foi ensinado em praticamente todas as religiões. Saber filtrar as informações que nos chegam com discernimento é das coisas mais importantes que hoje sinto de aprender, sem me identificar com o que chega de fora, pegando no que vem com agradecimento e sem me esquecer que nada existe fora, que tudo o que vem é informação preciosa sobre nós mesmos. Quando existe a identificação emocional, perdemo-nos no espaço do outro, saindo de nós mesmos e deixamos de ter discernimento, buscando que o outro nos traga respostas que virão à imagem da forma como ele/ela vive. Não se trata de viver desconfiado de tudo e de todos, trata sim de aprendermos a viver em paz connosco mesmos para sabermos navegar nesta aventura de nos vermos a nós mesmos, no outro e educar a mente, sem criar novas crenças a partir do que vem do outro como que a querermos ser clones do outro, com outra aparência. Uau e isto seria outro tema que daria muito para falar. Até que ponto a espiritualidade usada pelo ego não estará a levar os humanos a, inconscientemente, quererem fãs, para alimentarem a sua sombra, sem que se dêem conta? Quanto mais conhecimento acumulamos, mais nutrimos o ego para que domine a nossa essência. E aí volta a lembrança de escolher voltar ao templo budista, em retiro, e voltar a pegar no livro "Materialismo espiritual" dando uma pausa em outras leituras, trazendo a calma que busco e deixando de haver qualquer tipo de pressão interior de terminar um curso online para entrar numa formação apenas porque é requisito. A quanta pressão nos levamos por estarmos a ser guiados por crenças e querer fazer tudo daquela pessoa que me está a trazer muita consciência, como se fosse a última pipoca do pacote! Dá até canseira mental... falando em pipocas, a vontade de ir ao cinema voltou, para ver um filme animado ou de comédia.
Uau que viagem. É importante mesmo, no meu caso, vomitar os pensamentos que vão surgindo depois de chegarem conclusões. A sugestão que deixo é de não idolatrar ninguém porque são apenas personagens, tal como nos filmes ou nos jogos. Brincar neste teatro, usufruir da vida, fazer o que se gosta, divertir e consumir conteúdos sem paranóias, conteúdos de preferência neutros que tragam reflexão e não mais confusão mental. Tornem-se leves, façam o que vos faz bem e isso, muitas vezes, não custa dinheiro.
Com amor,
- Ana Colibri -
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