Aprender a entrar em comportamentos de liderança subtis, no sentido de romper com silêncio, vergonhas ou medos perante exposição. Medo de quê? É pura ilusão de personalidades, de criança ferida, de ego,... medo de quê se tudo é um teatro? Agora, é saber brincar neste teatro, sendo correcta, respeitadora, sem extremos e brincalhona, leve e tranquila. Quando retorno a casa, a uma casa de família, as tensões no corpo voltam, talvez por ter deixado arrastar esta situação por demasiado tempo. Não me culpo, não me julgo, talvez precise de voltar a ser quem era, antes de me afogar em dores, ressentimentos, mágoas e tristeza profunda que abafou a minha alegria. Mas como ela sempre teve aqui e cada vez mais a avivo, trazendo-a de volta a ver filmes animados, fotografar flores coloridas, comer gelados de morango e chocolate (queria tanto, na altura, o de cornetto de morango com o chocolate no fundinho ou o perna de pau e a minha mãe não deixava porque tinha corantes, só o de baunilha... sem cor, quase sem sabor, o que me valia era aquele fundinho de chocolate!). Aos poucos, voa trazendo-a à vida, voltando a brincar com a Sukhee, respeitando mais o que gosto e o que não gosto sem ter de agradar a ninguém, partilhando o que sinto de partilhar sem me focar se gostam ou não (sim, ainda vou ver algum tipo de confirmação se tocou algum coração, com algum tipo de feedback e quando percebo que sim, aquece-me o coração!).
Hoje, ao ver o filme dos amigos imaginários, viajei, emocionei-me e lembrei-me dos momentos em que ia ao circo e dos palhaços que recebia como prenda do trabalho do meu pai. Palhaços! Alegria! Brincadeira! Veio de repente uma vontade imensa de voltar ao circo, quem sabe ter aulas de chapitô ou experimentar por um nariz vermelho numa oficina e alegrar o dia às pessoas que passam por mim. Se calhar, andar de nariz vermelho na rua, de patins e a ouvir música... porque não? Tudo é possível neste teatro da vida em que o melhor que temos a fazer é sermos felizes! E disso eu nunca desisto! Enfrento os meus medos, um por um, às vezes mergulho em muitos medos ao mesmo tempo e preciso de recuar por uns tempos, junto da Natureza, em silêncio, em sossego, em descanso porque mesmo que um dia eu tenho aprendido que a vida é dura e só a doer é que a vivemos e conseguimos chegar longe, hoje sei que posso enfrentar desafios, um de cada vez, sem me forçar a nada, respeitando-me acima de tudo e ouvindo-me quando o cansaço é grande e é tempo de descansar. Ainda me engano, ainda me iludo, ainda caio em armadilhas ilusórias de quem parece importar-se e só vem trazer a mensagem de querer ser ouvido e ensinar-me que é tudo um treino de paciência e compaixão para com quem, se calhar, raramente encontra quem o oiça. Se me faz bem a nível energético? Depende do momento. Se tenho obrigação de ouvir? Não. É tudo uma questão de escolha. Podia ter entrado e mantido a calma interior com a música que ouvia. Vou aprendendo, não é frequente apanhar uber e foram novas experiências para aprender mais sobre como lidar com outros eu's, uns calados, contidos, tímidos, outros a precisarem de ser ouvidos a ponto de nem notarem que já estão a contar a história toda da vida deles, mesmo intervindo contando algo de mim, continua sem ouvir o outro lado, despejando meia hora de acontecimentos na matéria com quem acabaram de conhecer. Sim, revejo essa parte de mim, confiar e contar a quem mal conheço algo demasiado pessoal esperando que me oiçam apenas sem julgar, criticar, opinar, falar de si mesmos mesmo que achem que estão a ajudar trazendo soluções... quando, às vezes, só queremos mesmo ser ouvidos e acolhidos por alguém que se disponibilize a isso. Quanta aprendizagem e humildade vou aprendendo nestas experiências que vou tendo, eliminando falsas crenças, paranóias espirituais que nos afastam ainda mais uns dos outros e alimentam mais o ego do que a essência e, à medida que vou caminhando, passo a passo, firmes na Terra, vou vendo as peças da armadura a irem caindo, apodrecidas pelo tempo, enferrujadas e preparadas para serem absorvidas pelo solo da Mãe Terra.
Algo me manteve viva, a sobreviver, algo me ajudou a manter-me resistente a tudo e a todos, após vivências na infância e memórias não tão agradáveis. Detecto camadas, protecções enrijecidas que foram ficando e endurecendo à medida que ia desacreditando do mundo e das pessoas, refém de seriedade incutida que me afastou do mundo, para não voltar a sofrer. E se tudo não passou de ilusão, de que o mundo é mau e me vai fazer mal? E se tudo foi apenas uma forma de experienciar a dualidade para retornar para casa depois de relembrar que foi tudo um sonho, uma experiência? Talvez seguindo essa consciência, tudo se vá tornando bem levezinho e trazendo uma paz profunda de que não há nada a provar a ninguém e não há nada a forçar porque este é o momento de escolher ser feliz e ver o exterior a partir de um interior curado e sarado, com a alegria um dia abafada e resgatada através de lembranças bonitas de criança sem ferimentos ou distorções que serviram de escudo um dia e se desfazem no momento em que escolho o amor que Eu Sou neste teatro chamado Vida.
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