domingo, 8 de setembro de 2024

Chega de dramas e histórias do ego

Durante o dia, é frequente sentir ansiedade e sigo automaticamente para o telemóvel, como vejo pai e mãe fazerem e a maioria das pessoas hoje em dia. Procuro planear, programar, retiros, viagens,... e isto, claramente, é um hábito de mãe que me tem trazido muita ansiedade porque quero estar no momento presente e, automaticamente, sou levada a repetir atitudes, comportamentos a quem procura fora o que não ousa buscar dentro. Com comida, passa-se o mesmo e há uma espécie de desorientação/abuso no consumo da quantidade de alimentos, não tendo aprendido a ouvir o corpo e abafando ou deixando-me controlar pelo que vem no momento e que, provavelmente, vem de repetições e cópia de comportamentos durante tanto tempo. O treino importante neste momento passa pelo praticar o mindfullness, venham ou não sensações no corpo, treinando o desapegar-me desse sentir habitual que não sou eu e, claramente, vem de uma mente poluída e intoxicada por modos de pensar e ver o Vida. Aprender a descodificar o que o corpo me está a querer dizer e não me sentir assoberbada nem me apegar pelas sensações que o corpo vai trazendo, conseguindo afastar de todas essas sensações do corpo e rendendo-me ao que é, no presente e escolhendo estar bem e calma. Apenas isso. Escolher estar bem e focar-me na paz e não me identificar nem me deixar influenciar pelas sensações, julgando-as como más ou boas, agradáveis ou desagradáveis, são apenas sensações que surgem por algum motivo que virei a perceber. Não vale a pena lutar, revoltar-me contra elas, é apenas praticar a sua observação e perguntar-lhes o que têm para me dizer. Ruído e distracção a mais, pelo que me estou a aperceber, activa-me o sistema nervoso colocando-o bem alerta, especialmente do lado direito no pescoço, talvez para me transmitir que Chega e que o caminho não passa pelo acumular distracções, pensamentos, ideias, planos, viagens mas sim por sair dos pensamentos e, ou trazê-los para papel ou para aqui, de alguma forma, materializá-los, seja de que forma fôr e falar deles, expressá-los! 
Hoje, com a chegada da menstruação, tudo está mais aflorado, o que foi trazido de ontem na sessão de constelações veio através de sonhos, desconfortos no corpo, sensações, afirmando para mim com algum frequência "está tudo bem, estás segura". Vêem sentimentos de solidão, desespero, desorientação, afoguei-me em conteúdo, apressando a minha "salvação" com o querer entender mais e mais por também ser desafiante estar sossegada, vindo todo o tipo de julgamentos interiores, vozes de dentro de que me devo mexer e acelerar, levando-me a ser guiada para a internet, voltando a entrar no loop de desespero de querer fazer acontecer as mudanças na minha vida e só vem desconforto quando oiço vozes do ego. É como se uma dualidade imensa fizesse um ruído imenso dentro de mim, uma luta constante de que nunca está nada bem, como que uma guerra interior, masculino e feminino a puxarem os braços de uma criança, cada um para seu lado e a vontade de querer largar os dois e seguir o meu rumo sem nenhum deles, deixando-os a lidarem um com o outro sem mim. E esse é o medo que os meus pais têm por isso fazem de tudo para me prenderem através de bens materiais, dinheiro, ofensas, críticas, em vez de vir apoio para dar o salto. Vou aceitando gradualmente que isso nunca irá acontecer, tem sido apenas uma ilusão minha de esperar o que quer que seja do lado deles em termos de apoio, têm feito o melhor, tenho mais é de agradecer a forma como têm ajudado até aqui sem julgar e com isso, focar-me no meu caminho o mais possível sem desistir! Sabendo que qualquer tipo de motivação no sentido de sair de perto deles, do lado deles nunca virá e, portanto, estou por mim mesma no meu projecto de vida, para resgatar esta criança que precisa de mim, no meu colo e que, apenas comigo será feliz. Juntando toda esta visão, à que tenho escutado de outra fonte, independentemente de serem os meus pais, nunca me posso esquecer que o mundo de fora é apenas ilusão e que quanto mais em paz eu tiver comigo mesma e a minha história, sem raiva, tristeza, melhor estar o mundo exterior. Não vou cair na ilusão de que, tudo e todos mudam com a minha mudança, bem pelo contrário, quanto mais firme eu tiver do meu caminho, mais desagradável será para quem não me quer longe e de quem me estou a desapegar. Por vezes, é confuso escutar de várias fontes e, por isso, vou parando, escutando-me a mim e dando o meu melhor para não desfocar do meu caminho e sem cair em repetições de comportamentos baseados em crenças de família, nem exigir demasiado de mim mesma. Achar que só consigo fazer a minha vida com dinheiro de família é uma ilusão que criei, que mantive durante muito tempo, deixei de acreditar em mim, elogios ou motivação de ser eu mesma raramente chegavam e, portanto, todo este caminho é um voltar a casa aos poucos sem me perder de novo no tornado de crenças familiares que me asfixiam na morte. Geralmente, fujo de compromissos comigo mesma quando me proponho a algum curso (já no secundário, perdi a vontade, não tinha motivação para estudar, acabando por chumbar), na universidade e, quando o curso é "demasiado" longo, perco a paciência e acabo por não colocar em prática, o que se calhar me leva a retornar a um ponto de partida semelhante ao que estava. Não é negativo, é apenas algo em mim que exploro de onde vem e se isso acontece devido à falta de paciência ou se é algo que não é, de todo, para mim, seja o formato, seja o manter-me no "mesmo" tanto tempo, sentindo-me, por um lado, a despersonalizar-me, a sair de mim mesma e, de alguma forma, a tornar-me obsessiva por querer consumir tudo duma vez, não fazendo mais nada durante os dias e levando-me a algo familiar bem desconfortável. Por isso, é uma espécie de extremos para onde preciso de olhar e entender, como saber encontrar o equilíbrio quando me proponho a algum curso, formação, leitura. O que surge é algo como o querer dedicar-me a uma coisa de cada vez para não me desfocar e depois, colo-me a isso ou à pessoa e, chego a sentir a asfixia de ser apenas uma forma de ver a Vida, uma forma de linguagem, caio nesse hábito, levando tudo com muita intensidade, tal como foi o último relacionamento que me remeteu para a forma de viver que tive com a minha mãe (o não ter um trabalho hoje também não ajuda porque olho para o que estudo e quem dá o curso como mestra, levando-me a um lugar inferior e achando que dependo daquele ensinamento para ter  um trabalho ou orientar a minha vida quando isso só depende de mim). Quando essa sensação de asfixia surge, vem uma alergia e uma agonia tão grande da pessoa, do curso a ponto de vir a crítica e a rejeição daquela pessoa e de que também é humana e tem falhas, que ponho tudo de lado e rejeito acompanhar durante um tempo, O tema da idolatração, do deixar de seguir a minha vida (por neste momento não saber muito bem por onde ir e como me libertar do lugar onde vim parar e que criei, de alguma forma) em função de relação, em função de algo de fora como que uma salvação vem sempre com todas estas situações e tem sido base para entender como me posicionar, em paz, perante tudo isto, sem me revoltar e entrar em guerra porque foi tudo uma criação minha e é tempo de criar outro filme bem mais bonito e alegre, confiando que sou eu que escolho e manifesto isso, saindo de um loop de tristezas, vitimização e lugares confortáveis prejudiciais à minha saúde. Inspirar-me sem entrar na dependência ou idolatração de referências, sem permitir que o emocional intenso se meta no assunto mas sim, activando o racional para voltar à firmeza e ao alinhamento perante a minha vida.
E, deixando-me de filmes e dúvidas e dramas do ego que só traz é confusão, é momento de voltar ao presente, lembrando que tudo é um teatro de alegria e comédia e quanto menos me amaranhar nestas historinhas que vêem, especialmente em tempo de menstruação, mais emaranhada fico. Por isso, chega!

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