quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Ser Amor, do meu jeito

Num momento em que me sentia asfixiada mas sem coragem para sair daquele lugar, não vendo soluções por estar enovoada por sentimentos de revolta e com raiva de não saber como sair daquilo, a minha mãe fez-me um favor ao verbalizar numa discussão que podia fazer as malas... foi preciso uma espécie de rejeição clara, uma verbalização de uma mãe aquando de expressar que não aguentava mais ali dentro, foi como que um "vai e já, se é para te estares a sentir assim" como quem diz, "estou a ouvir-me a mim mesma, bate no que me dói porque também não suportava o que vivia em casa, não aceito ouvir o meu próprio desespero de estar nesta situação sem conseguir fazer nada por isso porque pelo menos tenho conforto numa casa e bens materiais, que não tive, maltrato quem reclama do ambiente (fico cega e nem contenho as palavras, maltrato quem amo, porque me maltrato a mim mesma) do qual eu faço parte e pelo qual eu também sou responsável, não aceitando a culpa de ser responsável pelo teu estado e quereres sair. Por isso sai, prefiro que sais e já do que reconhecer isso!". Saí, com uma coragem que nunca senti, parece que a raiva de me sentir desprezada, rejeitada trouxe-me o impulso... aquele ok era o que estava à espera para ir embora. Mas é preciso ser assim? Esperar um conflito, provocar um conflito para me explusarem porque acho que não consigo, enganando me a mim mesma? Talvez o conflito que provoquei a última vez, tenha sido um grito de socorro inconsciente para me dizerem "faz as malas e vai te embora, vai crescer!", habituada a precisar de uma autorização para seguir a minha vida, como que um "deixa-nos em paz na nossa cena e foca-te no teu caminho!". Porque tenho de chegar a isto para agir? Dessa vez, saí dali e foi como que um desapego forçado por ser difícil sair dali, como o que senti quando trabalhei no banco, sentia não haver mais soluções, perspectivas, como se aquele fosse o único lugar e que teria de aguentar tudo e ficar sujeita a tudo, até ficar doente num acto de desespero. Uma espécie de prisão mental a este sistema que é uma ilusão e cria a percepção, baseada em crenças de lealdade familiar, que é preciso existir alguém fora que me impulsione a sair de um lugar que me deixa doente, presa e asfixiada, cada vez mais sem forças para me LIBERTAR de alguém que não sou. Cada vez mais me chega que vai MESMO ser necessário vender o carro para sair daqui e que será o salto de fé. Por isso me dizem que eu não vou conseguir vendê-lo para me manterem presa e por perto, sob controlo, para me desencorajarem. Preciso de resgatar a coragem e a força interior, pôr de lado ideias de viagens ou investimentos secundários que me distraem deste foco e, subtilmente, de fininho... e com muito carinho por mim mesma, dar-me um prazo e ir, com a Sukhee. Independentemente de ser um valor limitado para pagar a renda, só o facto de agir, irá dar-me o boost de motivação e a confiança de que consigo. E se consigo isso, tudo o resto será PEANUTS! Portanto, o coração diz-me que o momento aproxima-se e que, ainda este ano, irá acontecer a mudança de casa. Portanto, o foco é não me comprometer com investimentos que não contribuam com a mudança (o ego vai tentar de tudo, distracções, gastos desnecessários com cursos e formações, viagens para estar com paixões platónicas e repetição de lugares onde já estive no passado) e estar à vontadinha porque vem de lá sempre que peço bem confusa com a questão da abundância) e a saída desta casa, em paz e em gratidão. Portanto, continuar em busca de casa e continuar a colocar o carro à venda, sem me sentir mal de o vender porque foi o pai que deu ou porque há alguma espécie de dívida por ter arranjado recentemente. O salto já aconteceu e vai ser benéfico para todos, para o processo de desapego e individuação de todos. Resistir a qualquer tentação que venha do email, seja de quem fôr, acabaram-se os acumulados, agora é momento de continuar a praticar a confiança, seguir no aprofundamento e mesmo mudando de casa, será sempre possível vir ou mudanças acontecerem e estar lá só o tempo necessário para a coragem e a confiança vir para dar o boost de materializar a terapeuta de constelações e não só, que há em mim. Apoio nunca me faltará para esta mudança e virá de todos os lados, eu confio nisso, porque estarei a dar um dos passos mais importantes da minha vida! E quanto mais acreditar que sou eu que crio a realidade, mais a irei manifestar ao ser agradável comigo mesma e com todos à minha volta, tratando-os com amor e gentileza, criando a realidade que quero para mim. Não será necessário nenhuma crise nem nenhuma provocação de conflito por ter se familiarizado com conflito em criança e não se sentir merecedora de bom ambiente e tratamento com respeito, algo que aprendi e vi em criança das atitudes da minha mãe para que o outro alimentasse o ciclo da vitimização e haver uma ressonância com o passado que era o normal para ela (parece que estou a falar de mim... a destapar a caixa de Pandora!), culpabilizando o outro para se manter no lugar de tomarem conta dela como não fizeram os pais, especialmente o pai, buscando no homem, o cuidador e quem lhe faz as vontade à criança interior dela, mostrando o não querer crescer para evitar acessar a memórias traumáticas, sem querer ocupar o lugar de adulta, assumindo e reconhecendo que não é perfeita, saindo de um pedestal que lhe dá jeito ao ego que a protege das dores e do sofrimento, então prefere ignorar que vive infeliz e agarrar-se à máscara do "está tudo bem desde que me façam as vontades, e quando não concordam comigo, humilho os outros e projecto as minhas dores emocionais neles. Preferir viver num mundo de idealização, ilusão, escondendo quem realmente é e o que sente (excepto a mim que o vejo com muita clareza e por isso o treino de aceitar a escolha dela/deles de estar onde está e como está, aparentemente feliz... prefiro estar assim do que sentir o vazio em mim, enganando-me a mim mesma, suprimindo-me com o que vem do exterior pago por quem me "fez mal", do que sozinha, ter de olhar para mim mesma e o quanto me odeio por não reconhecer que sou Amor), rejeitando o crescimento, para manter tudo e todos sob controlo, para nunca mais voltar a sentir a dor que sentiu no passado. Se nada sair fora do controlo, agradando a todos, dando-lhes o que querem, mantenho-os por perto e dependentes de mim. Pois é, isto é o ego presente em mim... dando a companhia que mãe precisa e recebendo mimos sob forma de bens materiais, ainda com a criança a querer o carinho de mãe. Está na altura de adultecer e dar-se amor a ela mesma, consciencializando-se que o amor de mãe será sempre o amor de mãe (à maneira dela, mais distante e frio por ela própria não ter aprendido a amar-se ou a demonstrar amor/afecto - provavelmente a forma como recebeu foi também em bens materiais quando criança na quinta - sentir na altura não era permitido), não ficando presa ou dependente desse amor como fonte de felicidade (deixando de buscar fora, finalmente, reconhecendo que o Amor vive dentro de mim e dentro de todos, ainda que alguns não reconheçam, eu escolho reconhecer-me como AMOR, PAZ, ALEGRIA E BONDADE e reconhecer o outro também, porque sou eu, vendo-o através dos olhos do AMOR que eu sou, sem julgamentos, sendo compassiva de repetição de conversas, sem contrariar e reclamar, percebendo que a repetição de temas é uma tentativa de chegar a mim, a única que sabe e que tenta para se aproximar e criar conexão, através de assuntos que para mim pouco me interessam e pode ser algo que o deixa descansado saber que tudo está bem... "sim, está bom o ambiente" não é fazer as vontades nem ser submissa, é apenas manter me em paz e na frequência da bondade e do amor, com o meu outro eu, reconectando me comigo mesma e com a vida que vem dele/a, tomando o no meu coração), autorizando-me a receber amor e afecto de outras pessoas sem medo e sem qualquer rejeição ou permitir qualquer distorção da realidade ou deixar-se aprisionar por pensamentos que me afastem do Amor que Eu Sou. Mudo o cenário, quando mudo a atitudes que era repetitiva, impaciente, passando a ser compassiva com quem tenho à minha frente, respeitando e honrando a sua história, mudando a perspectiva, quando escuto em presença sem a excitação de querer responder (ego) e querer ser ouvida ou reconhecida, o famoso "trocar eu pelos outros" e escolho AMAR o outro como ele é, pois estarei a amar-me a mim mesma. Caso haja algum momento desafiante, há sempre a casa de banho, o jardim, a música no ouvido, a presença em amor, no vazio que Eu Sou, dançando entre dimensões, devagar e treinando a não identificação com a emoção ou sentimento que vem de pai ou mãe, treinando a neutralidade e a escuta em presença, sorrindo e em silêncio dizendo "eu amo-te" como fiz com o Samir porque ele Sou Eu, mesmo que não oiçam, irão sentir pois é o que buscam, sentirem-se amados e aceites tal como são sem serem julgados. Também eu! :) Não quero fazer ninguém feliz nem ninguém dependente do meu amor, mas se há algo que me deixa o coração quentinho é dar mimos personalizados, mesmo não recebendo festivais ou fogo de artifício, por não saberem exprimir-se nem acederem à emoção mas concerteza em silêncio, irão sorrir e agradecer. Sementeira de amor, Eu Sou. Se é lamechas? Não faz mal. É Amor, do meu jeito. "ah mas não merece... blablablabla... fez me mal... blablabla..." O AMOR DISSOLVE TODO O MEDO, mesmo que não seja visível nem haja provas de agradecimento. Há quem fique sem jeito quando recebe amor porque não aprendeu a receber. Tudo bem, não tem problema. Dar amor ao outro, é dar amor a mim mesma.

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